Banho de mar

Chuva no mar

De repente, fez-se tarde de um domingo branco, preguiçoso. Cansado de rebater o sopro constante vindo da terra, o mar serenou. Os barcos ancorados naquele porto-mirim denunciavam a posição invertida do vento. Não era brisa marinha, era o nordeste anunciando o inverno em terras sedentas.

A paisagem era convidativa. Impossível resistir àquela piscina infinita. O sol encoberto não refletia o azul marinho, mas a água translúcida permitia ver todo o corpo mergulhado no grande espelho natural.

O tempo parara. O mar silenciara. Nem preamar, nem baixa-mar, ponto de equilíbrio. As criaturas marinhas, adormecidas, deixaram que os banhistas usassem e abusassem da sua morada. À vontade, mergulharam, nadaram, deslizaram sobre as águas, flutuaram, sorriram. Regozijaram-se com a mãe natureza.

A paisagem destoava de um dia de verão. Novos tons não menos belos. Nada de sol brilhando e azul-celeste. Nuvens brancas, cinzas, prateadas, azuladas.

Vista do mar, uma terra paradisíaca. Por trás das casas e coqueirais, pesadas torres encobrindo o pôr-do-sol. Era a chuva no Sertão. Caindo pesada, vigorosa, saudosa, fecunda, saciando uma sede insaciável.

O mar emprestara suas forças à mãe-terra, enquanto serenava em suas praias. Melhor deixa-lo em paz, antes do cair da noite. Levar comigo a lembrança de um banho de mar sem igual, de um momento divino. Descobrir que a felicidade está ali, simples, bela e, às vezes, atingível.

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