Pausa para recarregar

Flor na pedra

O café passado manualmente, exalando o cheiro pela casa, despertando os sentidos saborosamente. O pão quentinho derretendo a manteiga para azeitar a refeição. Pessoas sentadas à mesa, compartilhando a primeira refeição matinal. Almoço em família com direito a cochilo reparador. Final de tarde, cadeiras nas calçadas, encontro vespertino para colocar em dia as novidades do dia. Jantar com mesa posta, televisão e conversa entre amigos, olho no olho, antes da pausa para o descanso. Onde foi parar tudo isso? O tempo encurtou ou fomos nós que lhe apressamos? Os ponteiros aceleram, as horas passam rapidamente, os dias se tornam mais […]

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Rituais cotidianos

Houve um tempo em que o despertar surgia com as primeiras luzes do amanhecer. E o corpo inerte já levantava-se disposto para o trabalho braçal. Corpo descansado da noite anterior, relaxado nem bem o entardecer anunciava a escuridão. O progresso chegou e a noite estabelecida abdicou de adormecer o ser humano. A luz postergou o recolhimento noturno, retardou o descanso reparador. Surgiram os aparelhos eletrônicos e a demora em adormecer prolongou-se ainda mais um pouco. Às vezes, por quase toda a madrugada. Hoje então, o corpo demora a reagir aos primeiros acordes do despertador. Quando se dá conta, levanta-se no […]

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Banho de mar

Chuva no mar

De repente, fez-se tarde de um domingo branco, preguiçoso. Cansado de rebater o sopro constante vindo da terra, o mar serenou. Os barcos ancorados naquele porto-mirim denunciavam a posição invertida do vento. Não era brisa marinha, era o nordeste anunciando o inverno em terras sedentas. A paisagem era convidativa. Impossível resistir àquela piscina infinita. O sol encoberto não refletia o azul marinho, mas a água translúcida permitia ver todo o corpo mergulhado no grande espelho natural. O tempo parara. O mar silenciara. Nem preamar, nem baixa-mar, ponto de equilíbrio. As criaturas marinhas, adormecidas, deixaram que os banhistas usassem e abusassem […]

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Voos largos

Ociando. Gramaticalmente falando, será que o verbo ociar pode ser resgatado do latim? De todo jeito, é como estou me sentindo. Acordando sem o barulho insistente e irritante do despertador. Levantando, sem pressa, para uma caminhada matinal, testemunhando o despertar de uma cidade. A luz das primeiras horas da manhã tropical é mesmo revigorante. Ela não surge sorrateira. Aos primeiros raios solares, expõe sua força, rasgando a escuridão com uma intensidade estonteante para despertar o corpo letárgico. Seres humanos em caminhadas e corridas, trabalhando o corpo para alimentar a alma, ou vice-versa. Calçadas sendo varridas, lixo recolhido. O cheiro do […]

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Um novo dia

Nascer do sol sob a rede de um gol

Hoje é um dia especial para mim. Depois de mais de trinta anos de serviço público, dei meu último dia de expediente. A partir de segunda-feira (toda segunda é uma nova semana – no meu caso, uma nova etapa de vida) estarei de licença prêmio e, na sequência, uma programada aposentadoria. De qualquer forma, ainda posso me arrepender no caminho, porque só quem tem ideia fixa é louco e, como nosso eterno maluco beleza, eu quero ser uma metamorfose ambulante. Deixo no meu carimbo, uma vida profissional pautada na certeza de que cumpri com responsabilidade o meu papel. Até poderia […]

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