No Rastro das Águas – Capítulos 42 e 43

(…) No dia 20 de fevereiro de 1943, Eleika veio ao mundo. A alegria de sua chegada foi abafada pela morte de Antônio Bezerra, que faleceu em Currais Novos, quatro dias após o nascimento de sua neta. A cirrose venceu a guerra. Triste e abatido, José Bezerra só conheceu sua filha após a cerimônia do enterro. Aos trinta e quatro anos, sentiu profundamente a ausência de seus pais, que partiram tão cedo, vítimas de doenças distintas. Graças aos ensinamentos transmitidos por eles, podia caminhar com seus próprios pés. Com a família crescendo, esperava desempenhar, com a mesma desenvoltura, a lição […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 40 e 41

(…) O dia de retornar a Currais Novos estava próximo. Antes do anoitecer, José Bezerra dirigia-se até um alto, próximo a Muriú, observando a existência de “torres” pros lados do sertão. Aguardava a noite chegar, na tentativa de vislumbrar relâmpagos na mesma direção. Seu coração estava apreensivo. Não tinha notícias de chuva, tudo indicava para mais uma seca. A lua começava a minguar, levando consigo a esperança do sertanejo. A maré morta despediu-se dos veranistas. Revigorado pela temporada no litoral, José Bezerra podia retornar à sua terra. Antes, porém, deveria passar na Capital para inteirar-se dos últimos acontecimentos da guerra. […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 38 e 39

(…) A onda de nacionalismos extremados, encarnados principalmente pelo nazismo alemão e fascismo italiano, transformou-se num conflito armado. Em 1º de setembro a Alemanha tinha invadido a Polônia; dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha. A Segunda Guerra Mundial tinha começado na Europa. Os ouvintes ficaram alarmados. Desde a noite anterior, quando uns poucos ficaram sabendo da guerra, não se falava em outra coisa na cidade. O assunto renderia toda a feira a ainda sobraria para os próximos dias. Na época da Primeira Guerra Mundial, não se tinha notícias pelo rádio, pois este nem sequer […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 36 e 37

(…) Dentro dessa realidade, José Bezerra passou a administrar os escassos recursos da Prefeitura, e assim tornou-se um homem público. Não precisou alterar seu comportamento. Nascido e criado numa sociedade pequena e conservadora, sob rígidos padrões de educação, qualquer que fosse a postura, fosse do homem público, fosse do homem privado, sua retidão de caráter estaria sempre presente. Capítulo 36 O movimento começou cedo na casa do Prefeito. O Plymouth já estava repleto e ainda faltava acomodar alguns pertences. A família aumentou, em 1º de maio de 1937, Haroldo ganhou um irmão, Franklin de Sá Bezerra, nascido em Ceará-Mirim, pois […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 34 e 35

(…) Os trinta dias logo se passam, para tristeza dos avós maternos, que logo serão privados da companhia de seu primeiro neto. Os paparicos aumentam e a saudade começa a bater. Em abril, Yvete e José Bezerra retornam a Currais Novos. Vão ao encontro de Antônio Bezerra, aflito para conhecer seu primeiro neto. Seu temperamento alegre e brincalhão ressurge com toda força. Seu encantamento é visível, bem mais perceptível do que o de seu filho. Nesse aspecto, José Bezerra era bem mais parecido com sua mãe. Haroldo veio dar novo ânimo à vida de seu avô paterno, que desde muito […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 32 e 33

PARTE DOIS: ALÇANDO VOOS MAIS ALTOS (1936-1966) Capitulo 32 Após o jantar, a quietude tomava conta de Currais Novos. O movimento já diminuto de cidade de interior, reduzia-se ainda mais. Apesar do calor fustigante durante o dia, o clima amenizava-se à noite. Era uma boa hora para uma conversa entre amigos e familiares, aproveitando a luz do motor, que permanecia acesa até às vinte e três horas. O paleio fazia as vezes do rádio, ainda inexistente no município. José Bezerra apreciava uma boa conversa e costumava frequentar a casa de seu avô, Manoel Salustino. Era lá que estava quando recebeu […]

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Sorriso de menino

Chegando à casa do seu bisavô, sede do esplendor de antanho, quando o Coronel José Bezerra guiava as rédeas do seu povo, buscou no velho limoeiro sinais de uma fotografia antiga, secular, na qual a família reunida deixava sua identidade para as gerações vindouras. O tambor e a caixa azuis de plástico são os únicos sinais de modernidade, contrastando com as marcas que o tempo impregnara na casa malcuidada. No alpendre estreito, assentado nas pedras cuidadosamente perfiladas em um alicerce sólido, apenas um banco tosco e duas cadeiras sob a janela. Nenhum sinal das conversas que alimentavam os temores da […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 31

(…) Foram seis horas de uma viagem por um caminho nunca antes percorrido por Yvete, mas cheio de descobertas. A vegetação foi ficando mais escassa, retorcida, mas apresentava-se verde, consequência do bom inverno. O pôr-do-sol à sua frente, por detrás das serras, foi magnífico. Apesar da expectativa, sentia-se segura junto a José e um rubor lhe subiu às faces, pensando em sua noite de núpcias. Exaustos, encontraram Antônio Bezerra e D. Ritinha esperando-os. Foram muito bem recebidos e acomodados na casa de Tomás Galvão, seu primo, que se encontrava na fazenda, pondo-a à disposição dos jovens nubentes até que a […]

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