Chocolate, a bebida sagrada

O deus Asteca, Quetzcoalt, senhor da Lua prateada e dos ventos gelados, certo dia ofereceu aos homens um presente roubado do país dos deuses. Foi aos campos luminosos do Reino do Sol e lá roubou as sementes da árvore sagrada. Quis dar aos mortais algo que os enchesse de energia e prazer.

Os outros deuses não lhe perdoaram que tivesse dado a conhecer o alimento divino e expulsaram-no das suas terras. Antes de Quetzcold partir, jurou que iria regressar por “onde o Sol sai” num certo ano do calendário asteca.

Os astecas utilizavam o chocolate como bebida sagrada, consumida por reis, nobres e guerreiros. Ele estava presente também em sacrifício aos deuses, funerais e rituais de iniciação e as sementes serviam como moedas de troca.

Torradas e moídas, as sementes eram acrescidas de água e especiarias (malagueta, canela, pimenta ou baunilha) e, por vezes, farinha de milho para ficar mais espessa. Bebida de sabor amargo e forte, tinha propriedades energéticas e afrodisíacas.

O conquistador Hernán Cortés veio do Leste, desembarcou na América e conheceu a bebida dos deuses. Levou algumas sementes para o outro lado do Atlântico e o chocolate chegou à Europa.

Na Espanha, a bebida permaneceu sendo utilizada nos mosteiros, em segredo, por quase 100 anos, até ser apresentada à nobreza. O sabor amargo foi adoçado para que os reis e os nobres desfrutassem as propriedades desse alimento divino.

A Inglaterra e a Suíça foram os pioneiros em acrescentar leite ao preparo. Surgia o chocolate na forma utilizada hoje em dia. Na Suíça, a fábrica Cailler foi a primeira a entrar em operação e permanece até hoje em funcionamento.

As civilizações indígenas foram dizimadas na América Latina, mas as terras propícias ao plantio do cacau permaneceram. O clima quente e úmido, ideal para a planta, fez a cultura do cacaueiro se espalhar em alguns países da América, África e Oceania.

Atualmente, o maior produtor mundial é a Costa do Marfim (39,0%), seguido pelos países Gana (14,5%), Indonésia (14,0%), Nigéria (6,3%), Equador (5,1%), Camarões (5,0%) e Brasil (4,6%), reunindo 88,4% da produção mundial.

Embora a produção de cacau seja restrita a países com condições climáticas favoráveis, a globalização permite que o chocolate seja produzido em diversas partes do mundo.

Antes restrito aos deuses e à nobreza, o chocolate passou a ser consumido nas mais variadas formas e tornou-se uma das guloseimas mais desejadas do mundo, seja no sabor amargo, ao leite ou branco. Sua versatilidade permite misturas inusitadas.

Os chocolatiers utilizam a química do sabor, para alcançar resultados cada vez mais desejados. Se as prateleiras do supermercado apresentam uma variedade imensa para o consumidor, algumas marcas exclusivas disputam a hegemonia de chocolate mais caro do mundo, sendo reservadas para poucos.

Para nós, simples mortais, podemos aquecer o corpo com a bebida líquida no inverno ou lambuzar-se de chocolate no verão, completamente transformado desde a sua concepção original, embora tenha se tornado muito mais aprazível (suponho).

Os sabores e aromas do chocolate conquistam os sentidos, elevam a sensação de prazer, energizam o corpo e deixam uma vontade de querer mais. Não é a toa que o número de chocólatras vem aumentando em ritmo acelerado.


Maison Pierre Marcolini
Transformação do cacau em chocolate

Clique sobre o nome da relação seguinte e conheça algumas das melhores marcas de chocolate do mundo:


Dicas de filmes:

Trailer do filme “Chocolat”
Trailer do filme “Como água para chocolate”

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2 comments

  1. Você a cada dia está mais especial. Esse do Chocolate me encantou. Não sei se gostar de aprender ou se por ser chocólatra. Talvez as duas. Obrigada por compartilhar.

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