Cinco mulheres e uma viagem

Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando! Começo essa crônica pegando carona nas palavras de Mario Quintana, lamentando o coração não poder gritar alto de satisfação, mas ele sabe se expressar por outros caminhos…

Junte uma amiga de infância, uma mãe e uma filha e programe uma viagem. Consiga mais uma amiga de coração e, de última hora, uma mãe, que também é avó de uma integrante do grupo – três gerações reunidas, que privilégio! Está formado um quinteto pronto para todos os caminhos do mundo.

No caso, uma visita aos países Holanda, Grã-Bretanha (apenas Londres) e Bélgica. Passos cuidadosamente traçados para evitar perda de tempo, pois treze dias de viagem são suficientes para dar saudade de casa e, na volta, saudade do tempo que passou tão rápido.

Passagens aéreas compradas, hotéis selecionados e reservados por essa viajante e sua filha antenada. Primeira opção de transporte interno: trem. Em função da integrante de último minuto, mas não menos celebrada, trocamos o trem por transfers de carro – a divisão do custo entre as cinco não ficou distante do original e ainda ofereceu bem mais conforto.

O mandamento inicial seria a utilização de mala média porque não disporíamos de braços masculinos para fazer a força que Deus lhes deu (risos). Tarefa complicada quando se tem duas integrantes vaidosíssimas, loucas para usar os casaquinhos de frio de pouco uso em terras tropicais.

Criou-se um grupo de WhatsApp para facilitar a troca de mensagens (que não são poucas quando se trata de preparativos de viagem feminina). Após fotos e mais fotos das roupas, as viajantes fecharam as malas. As mais vaidosas fizeram uma forcinha e conseguiram não utilizar o alargador, mas com pouco espaço para compras adicionais.

A jovem com rosto de adolescente, por incrível que pareça, conseguiu a mala mais leve, apesar de estar sempre bem arrumada. O pretinho básico predominando. Foi escolhida para dar aulas ao grupo na próxima viagem, que deverá estar programada para o ano vindouro, depois que ela pesquisar as dicas de roteiros descolados.

A mais experiente, também artista plástica, ficou encarregada da programação cultural. Visitas a museus de arte contemporânea para ver o que está rolando mundo afora e buscar inspiração para seus trabalhos. Todas aproveitaram para receber doses de cultura estética, por vezes incríveis, por vezes dispensáveis, tamanha a loucura.

O clima surpreendeu. Fez mais frio do que o imaginado para o mês de maio. Dica importante: tenha a mão um bom casaco, de preferência leve – graças à tecnologia aplicada aos tecidos – e que não faça volume. Vista uma roupa que não precisa ser muito quente, porque os espaços internos são sempre aquecidos.

Museu Rijksmuseum. Amsterdã, Holanda
Museu Rijksmuseum. Amsterdã, Holanda
Casas cubo. Roterdã, Holanda
Casas cubo. Roterdã, Holanda

Aterrissamos e seguimos para nosso destino. A chuva, mesmo fina, sempre atrapalha. Deixa o céu nublado, meio triste, desanimado. Mas a vontade de passear suplantou o clima do primeiro dia. Do segundo em diante, só céu azul e friozinho, uma delícia. Nossos passos percorreram distâncias inimagináveis, mas cada uma estimulava a outra para seguir em frente.

Para suportar as longas caminhadas, paradas estratégicas em lojas de doces, biscoitos ou chocolates – afinal, estávamos na Bélgica, que produz alguns dos melhores chocolates do mundo. A equação matemática entre o consumo e o gasto calórico rendeu quilos extras, mas a satisfação compensou. Quando as pernas pediam um descanso, o Uber foi um bom socorro.

Viagem que se preze, também deve ter espaço para a degustação das delícias que o mundo oferece. Pelo menos um restaurante gastronômico deve fazer parte do menu. Os demais não precisam ser tão preciosos, mas uma excelente avaliação dos frequentadores é essencial e rende boas pedidas.

Visitamos Amsterdã com seus canais, deslumbrado-nos com as tulipas do Keukenhof, surpreendemo-nos com Roterdã, encantamo-nos com Delft, registramos a tradição e as novas construções de Londres, dormimos como princesas no antigo Palácio transformado em hotel em Bruges, fartamo-nos em Bruxelas e observamos o uso da bike como transporte ecológico em Utrecht.

O olhar de uma arquiteta perdendo-se entre o antigo e o contemporâneo das construções dessas cidades em plena primavera. As tiradas de uma fonoaudióloga que tudo topa e diverte a todas. Celulares em punho, captando imagens e momentos, enviando mensagens saudosas para os familiares que aqui ficaram.

No final, de alma lavada e espírito renovado, voltamos para casa. Fortalecemos nossos laços, compartilhamos alegrias, soltamos risadas pelos quatro cantos, fizemos pouquíssimas compras (uma exceção para um grupo de cinco mulheres), caminhamos juntas descobrindo novos horizontes, tudo registrado e guardado no coração silencioso. As faces e corpos dizem o resto…

Bruges, Bélgica
Grand Place. Bruxelas, Bélgica
Delft, Holanda.
Delft, Holanda
Utrecht, Holanda
Utrecht, Holanda

Peter Bence – Despacito (Piano Cover)

Acesse também: Encarando as ondas de Nazaré, (Re)descobrindo Veneza e Officina della Bistecca.

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22 comments

  1. Com apenas uma semana entre a sua e a nossa viagem, você descreveu nesse texto exatamente o que vivemos, só que quem carregou as malas, fui eu. 😀

    1. Quem manda ter mulher bonita e vaidosa? Como nossa viagem era só de mulher e não tinha nenhum homem para fazer força, o jeito foi mesmo enxugar as malas, kkkkk

  2. Tem uma frase que se atribui à Voltaire: “ a escrita é a pintura da voz”, então Elzinha, não é só sua mãe que é uma artista!!!!

  3. Elzinha, parabéns!!!
    A forma como vc descreve a realidade em suas crônicas, realmente emociona… Viagem maravilhosa!!! Obrigada por ter desfrutado dela e agora desta crônica deliciosa! Beijo

  4. Me emocionei com sua escrita habilidosa de relatar nossa viagem maravilhosa!!!! Que venha a próxima com a graça de Deus!!!!
    Muito obrigada ❤️

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