Compartilhando sentimentos sobre o Sertão

Um dos grandes prazeres da escritora é receber feedbacks sobre sua obra. Sinal que os escritos estão alcançando pessoas e proporcionando sensações, positivas ou negativas.

Toda manifestação é válida, principalmente quando o(a) leitor(a) consegue captar tudo aquilo que foi colocado no papel e um algo mais. Nesses casos, a satisfação da escritora é imensurável.

Essa semana, recebei um comentário que é uma verdadeira crônica sobre o livro Sertão, Seridó, Sentidos, encaminhada por Wescley Gama.

A autora é Márcia Araújo, formada em Letras, coordenadora do Centro Municipal de Ensino e Educação do Campo “Nazaré Xavier de Góis”, em Lagoa Nova/RN.

Como muitos comentários são enviados diretamente pelo WhatsApp (as pessoas não gostam de se expor), pedi autorização a Márcia para postar esse belo texto, um verdadeiro compartilhamento de sentimentos sobre o nosso Sertão.


Sertão. Seridó. Sentidos

A beleza nessa obra transborda por todas as páginas, da cinta a última fotografia do livro. Fotografias escritas, fotografias “batidas”. Vi, ouvi, senti, amei cada palavra que li sobre meu sertão.

Minha voz na voz da autora, traz lembranças da casa de meus avós. “Casa do sertão”, janelas para sentar. Castanholas, algarobas, sombras e frutos, brincadeiras de crianças e “caminhos da infância“.

Aboiando“, vaquejada e valeu o boi. “Ouro branco” em Serra de Santana, sacos de estopa feito “bisaco” em pés grandes de algodão e a “Permanente robustez” de sua planície. “Caatinga em brasas” vista de cima ao chegar nos Tanques dos Poscianos.

Sua câmera com seu olhar ficariam estupefatos onde o “sol e fogo” chegam de forma poética, no pôr do sol enamorado e nas fogueiras de quem lá quer acampar.

Invernada” é palavra de Deus para o sertão, rio correndo para o açude, barulho de água na bica, cisternas cheias. A “fé inabalada” do povo que reza em seus oratórios que tem em Santa’Ana sua devoção.

Fazenda em festa“, lenha no fogão, conversas entre cabelos de milhos, caixas para pamonhas e muita animação.

É fácil sentir no “sorriso do menino” que brinca com o fogo da fogueira já acesa, calças rasgadas e pé no chão.

Andorinhões errantes“, ribaçã, galo de campina, pardais, golinha, canário, em uma relação de servidão ao homem sertanejo.

Ao sentido do “sabor preservado” viajei para o doce de caju, a goma alva que vem da serra, o beiju no final da jornada, o queijo de Caicó, o café para acompanhar. Tudo produção das “mãos que trama“, da comida que acalenta, do terreiro bem varrido com a vassoura de palito que logo cedo foi pegar no mato, do bordado ao fuxico, do milho e feijão na cova.

Sertão noturno” do cheiro de lenha queimando, do cuscuz cheirando e da dormida cedo, depois das orações.

Obrigada, Maria Elza Bezerra Cirne. Seu Sertão, Seridó tem sentidos igualmente ao meu sertão. Sua voz ecoou a minha voz nos sentidos esquecidos de minha memória.

Gratidão pela leitura e imagens.

Márcia Araújo.


Para acessar as crônicas do livro Sertão, Seridó, Sentidos disponibilizadas no blog, clique aqui.


Amanhecerá | Wescley Gama e Milena Carvalho

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