Desafio do dia das crianças

Desafio aceito! Vamos ver quem tem mais prazer…

De um lado, um tabuleiro verde com um campo demarcado, uma caixa desgastada pelo tempo, guardando diversas tiras de pano de flanela costurados com 22 lugares e um time inteiro de futebol de botão. Olhos voltados ao tempo das disputas acirradas dos campeonatos na infância.

Do outro, uma grande tela, fios conectados, o console Playstation ligado, o jogo FIFA 20 escolhido, faltando apenas apertar o play. Dedos ávidos para iniciar, com habilidade, o manusear do controle.

Stop! Invertam os lugares. Regra número um: o objetivo principal do desafio é ser criança em épocas diversas. Troquem os seus lugares. Os dois adultos (nascidos na década de 1960) assumem o controle do Playstation; as duas crianças, o campo do jogo de botões.

Regra número dois: cada jogador terá o tempo de meia hora de adaptação ao “gramado” para iniciar o jogo. Como o grau de dificuldade é enorme para os dois times, os participantes terão ajuda de um expert em cada uma das modalidades – presencial e virtual. A torcida fica por conta do leitor.

As crianças, meio desorientadas, abrem o pano de flanela e encontram as peças redondas de fibras de vidro, representando os jogadores da década de 70, época em que o Brasil conquistou o tricampeonato da Copa do Mundo de futebol. Craques famosos para os antigos e desconhecidos para o presente, com os rostos estampados em cada um dos botões.

Recebendo instruções, as crianças posicionam a trave, o goleiro retangular, os jogadores de fibra de vidro e a bola – um botão de costura mesmo; hoje, de espuma. Uma moeda jogada para cima, cara e coroa na disputa, o time do fluminense começa o jogo. Palheta na mão, vamos ver quem tem habilidade para tocar a bola em direção ao gol.

No sofá confortável, adultos desconfortáveis no manuseio do controle tentam escolher o Avatar, o estilo, o campo, a cidade onde vai rolar o jogo, o tipo de jogo – campo ou rua – as regras. Incorporam jogadores famosos e milionários e apertam o play para um show de realismo virtual com direito aos gritos da torcida. Difícil mesmo é acertar o botão para tocar a bola e fazer os dribles desconcertantes.

O primeiro tempo consome tentativas frustradas de mãos desabilitadas para a prática daquelas modalidades esportivas.

No segundo tempo, a disputa vai ganhando contornos verdadeiros. Os pais incentivam as crianças, dando dicas de como avançar com a bola, gritam, xingam, trocam palavrões, não conseguem assimilar a carência de jeito; uma gritaria real ao redor do tabuleiro de madeira.

Ao redor do sofá, crianças ansiosas, quase tomando o controle das mãos dos adultos, passam instruções aos pais e se contorcem de apreensão. Diversão garantida na falta real de habilidade virtual.

Depois de vários lances frustrados, gols simultâneos no tabuleiro e na tela. Por coincidência, quase aos 45 minutos do segundo tempo. Abraços gerais. Pais e filhos, cada um no seu tempo, extraindo os prazeres que os jogos, presenciais ou virtuais, proporcionam.

Regra número três: permita sempre celebrar a criança que traz dentro de si. Feliz dia das crianças!


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