Descoberta musical

LP Cazuza e Barão Vermelho

Quando meu filho ainda era criança, pediu-me para comprar o CD do Pato Fu. Eu tomei um choque. Pato o quê…? De repente senti um alerta no chip regulador da idade. Como é que eu, que sempre gostei de música, não conhecia a banda mineira?!

Corri para loja e comprei o CD. Deparei-me com a voz suave de Fernanda Takai – lembrando Nara Leão – e tomei uma resolução definitiva. Daquele dia em diante, iria me esforçar bastante para estar atualizada nas novidades musicais, uma receita infalível para manter a mente jovem.

É claro que essa resolução passaria por um filtro, porque não é qualquer música que merece ser apreciada. Hoje em dia, então, vários filtros devem ser ativados, tamanha a quantidade de letras de má qualidade, deselegantes, baixo nível mesmo!

Mas como fazer para me manter em sintonia com as novidades musicais? Ouvi discos analógicos de vinil – compacto e LPs – nas antigas vitrolas, em que podíamos escolher a rotação 78-45-33-16 e levar o braço da agulha até a faixa desejada. Gravei e escutei fitas cassetes no toca-fitas Roadstar (quando um lado chegava ao fim, tinha que virar a fita; o auto-reverse foi um grande progresso). Chegaram os CDs e o formato digital invadiu minha casa, ainda tenho as caixinhas quadradas ocupando boa parte dos armários. Incursionei rapidamente no garimpo de LD’s – Laser Discs – difíceis de encontrar e que tiveram vida curta.

Então a internet chegou e revolucionou a indústria musical. Surgiram os programas para baixar músicas, legais e ilegais. Prejuízo certo para o mercado. A solução encontrada foi formatar uma nova maneira de oferecer o conteúdo aos ouvintes, chegando ao streaming online de música.

Hoje temos acesso às músicas do mundo inteiro através dos serviços de streaming da Apple Music, Spotify, Deezer, Google Play Music, YouTube Music e tantos outros que disponibilizam uma biblioteca musical abrangente aos assinantes.

Navego por alguns desses serviços, ouvindo velhas e novas canções, descobrindo novos talentos. Numa dessas incursões musicais, deparei-me com uma artista que me chamou a atenção. Voilá: Zaz!

Zaz é o nome artístico de Isabelle Geffroy. Jovem artista francesa, eclética, com uma voz rouca que brinca com nuances e tons, carreira internacional de sucesso. Sua discografia já recebeu vários prêmios importantes. Natural de Tours, onde desde cedo estudou música, encontrou nas ruas de Paris o cenário ideal para seu savoir-faire.

Feliz com minha descoberta, sigo meu caminho, buscando na música uma das fontes permanentes de inspiração para meus escritos.


Zaz – Je veux (Live)

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6 comments

  1. A musica antes era apreciada. Sentávamos do lado pra ouvir alguma batida ou solo, comentar acordes, versos, sabíamos os nomes dos integrantes das bandas, curtíamos a capa do disco, folhetos. Hoje com o streaming e a vida moderna a musica é um acessório e não mais um fim de prazer. A música toca mas nao ou imos, apenas esperamos que ela cumpra sua função de animar o ambiente. Por isso ela perdeu valor como copia gravada, hoje só estamos dispostos a pagar pela apresentação ao vivo, o artista ganha com seu suor, a execução. E mesmo em shows deixaram de ser tanto “pra ouvir” e mais pra “socializar”.
    Em resumo: eis que a música finalmente saiu da ingenuidade humana de ficar ao lado de uma rádio maravilhado, para tê-la sempre disponível a qualquer hora e lugar, virou um “bom-ar”, aquilo que vc joga pra deixar o momento mais agradavel.

    1. Concordo que a música era apreciada em conjunto ou em momentos específicos para isso. Hoje, ela está em muitos lugares e a qualquer hora, sem aquele ritual que tínhamos para escutá-la. O bom de hoje é que os streamings online permitem a propagação de vários gostos de todo o mundo com muito mais facilidade do que antigamente, quando esperávamos para um lançamento chegar às lojas de discos. Os headphones, com excelentes qualidades de som, fazem o momento só seu para escutar as músicas preferidas.

  2. Muito boa a crônica, Elzinha!Me considero uma analfabeta musical, mas com a facilidade de acesso aos aplicativos de música, de vez em quando também garimpo uma música boa, já que, a meu ver, toda a arte atual vive um período de mediocridade. Raro encontrar boa música, especialmente aqui no Brasil, onde o estilo sertanejo impera, lamentavelmente.

    1. Aninha, a vantagem do streaming é que você encontra com facilidade as músicas novas, antigas, de qualquer lugar do mundo. E pode fazer sua seleção, fugindo desse gosto duvidoso de muitas músicas atuais. Mas não percamos as esperanças, ainda podemos encontrar bons compositores…

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