Diário de viagem – Jalapão e sua beleza em imagens

Estamos a dois passos do paraíso! O Jalapão bruto, quase selvagem, até que enfim, chegou! Agora era botar o pé na areia ou no barro e aproveitar as maravilhas que a natureza gentilmente nos oferece e registrar tudo em belas imagens.

Antes de descobrir a primeira atração, um almoço para repor a energia do caminho exaustivo. Comida simples e caseira, servida com o sorriso no rosto do povo jalapoeiro: o chambari e a galinhada predominando em todas as refeições.

Uma ligeira caminhada até o fervedouro Bela Vista e chegamos ao primeiro oásis! A água de um verde translúcido repousa suavemente sobre a areia branca. Rodeado de samambaias, bananeiras e buritis, a imagem é convidativa.

Fervedouro Bela Vista
Fervedouro Buritizinho

Entrar na piscina natural é inesquecível. O solo compacto do primeiro encontro cede lugar aos borbulhantes olhos d’água que enterram os pés, mas não nos deixam afundar. Um mergulho de corpo e alma.

A turma foi dividida em duas, para curtir os vinte minutos disponibilizados para o grupo. Atitude ecologicamente consciente de preservação dos fervedouros para as próximas gerações. Dez pessoas por vez, um grupo de “adolescentes” curtindo seu primeiro banho de piscina natural.

Ainda visitamos o fervedouro Macaúbas, antes de chegar ao nosso pouso em Mateiros: a Pousada Monte Videl. Seu Durval e Dona Neuza, com simplicidade e acolhimento jalapoeiros, nos deixaram bem à vontade. Repouso merecido depois de 310km de estradas de barro, com banhos revigorantes nos fervedouros paradisíacos.

No dia seguinte, mais trilhas a percorrer. O fervedouro Buritizinho é uma pérola de águas translúcidas. Impossível transmitir a sensação do mergulho em água nascente, um verdadeiro retorno ao útero. Lembrei muito de papai que adorava essas descobertas, ainda mais quando tinha água em abundância, riqueza escassa nas terras do Seridó.

Visitamos a comunidade Mumbuca, fundada por quilombolas que fugiram da Bahia e criaram raízes no Jalapão. As mulheres descobriram o capim dourado e trançaram verdadeiras joias de artesanato, garantindo o sustento de suas famílias.

O almoço foi seguido de um banho/cochilo no rio Sono, para refrescar o calor de 40 graus, antes de pegar a estrada novamente para desfrutarmos a beleza do pôr do sol.

Um dos principais atrativos do Parque é o pôr do sol nas Dunas do Jalapão. Antes mesmo de chegar ao estacionamento, é possível imergir na paisagem do cerrado, tendo a Serra do Espírito Santo ao fundo. As cores do entardecer realçando as falésias de barro e arenito que dão origem às dunas.

O local atrai os turistas do Parque, com limitação de 300 pessoas por dia. Nessa hora, percebemos a quantidade de pessoas dissipadas nas terras extensas de Mateiros. De onde surgiu tanta gente?!

A areia das dunas recebe os últimos raios do sol e as cores mudam à medida que o astro rei despenca na linha do horizonte. Uma descarga de energia naqueles que optam por recarregar as baterias junto à natureza. Que beleza!

Hora de voltar para nosso pouso, descansar para o desafio do dia seguinte: acordar às três da madrugada para subir a Serra do Espírito Santo. Doze mulheres equipadas com lanternas, sapatos adequados para trilha, água e celulares para registros. E olhe que a média de idade girou em torno de meio século. Haja disposição dessas aventureiras!

Encaramos a subida sem problemas. Reunidas, em oração, aguardamos o nascer de um novo dia. Conexão total das amigas com a natureza. Sentimos toda a energia do Jalapão inundando o olhar; vibramos com nossa interação; registramos lá no fundo um momento único em nossas vidas. Na descida, uma sensação de superação, prontas para as próximas viagens junto à natureza.

Escala na Serra do Espírito Santo para ver o nascer do Sol

Quem pensa que a viagem acabou, engana-se! O Jalapão tem muito a oferecer. Próxima parada: Cachoeira da Formiga. Um banho revigorante nessa cachoeira de queda baixa, mas forte, formando uma piscina de água verde, relax total.

Antes de deixar Mateiros e seguir para Ponte Alta, um banho no Rio Novo, um dos poucos de água potável no Brasil. Impossível não lembrar da última viagem que fiz com papai aos Cânions do Rio São Francisco, retratada em Alma Renovada.

Ainda tivemos a sorte de ouvir Mamede Karin nos presentando com a catira – ritmo primitivo das manifestações dos povos tradicionais do Tocantins.

Prainha do Rio Novo

Pé na estrada, porque o caminho é longo para chegar a Ponte Alta. Pneu furado, banho de riacho e chegamos ao Cânion Sussuapara no final da tarde. O lugar parece nos transportar para as aventuras de Indiana Jones. O nome em tupi-guarani denomina um cervo do pantanal. Aqui as águas despencam suavemente pelas raízes dos musgos que cobrem o paredão de pedra. Uma escada permite o acesso ao pequeno rio que flui lentamente até uma queda d’água. O barulhinho suave de água corrente tranquilizando as viajantes para seguir o caminho.

Chegamos depois das dezenove horas em Ponte Alta. Uma noite merecida de descanso para novas descobertas.

Iniciamos o nosso último dia no Jalapão com uma visita à Pedra Furada. Um maciço de arenito que abriga diversas espécies de aves. Suas cores garantem belas fotografias, mas bonito mesmo é silenciar para ouvir somente o cantar das aves, incomodadas com as pessoas em seu habitat.

Pedra Furada

A despedida foi na Lagoa do Japonês. Uma fazenda particular em área de proteção ambiental e um mergulho nas águas de um verde esmeralda. Para chegar até às grutas, podemos utilizar um barquinho ou ir nadando. O ideal é utilizar sapatilhas, porque existem pedras e raízes cortantes.

Lagoa do Japonês

Lugar para um banho profundo na natureza. As pedras que formam as grutas abrigam árvores com longas raízes à procura do líquido precioso. A luz traspassa entre suas sombras para refletir um solo calcário, realçando a cor da água. Flutuar nesse lugar dá vontade de parar o tempo, mas a hora passava e tínhamos que seguir viagem.

Chegamos a Palmas à noite. Estradas de barro e areia, poeira em excesso, calor escaldante, banhos refrescantes e revigorantes, muito chão despovoado, pessoas acolhedoras, carne secando ao sol, capim dourado, cajuí, sucupira, copaíba, brindes, sorrisos abundantes! Felicidade estampada nos rostos da expedição de Mulheres pelo Mundo e Jalapão Femine. Voltamos bem mais leves para casa!

Valeu meninas: Luciana Liberato, Michelle Pereira, Elza Bezerra, Belva Cirne, Claúdia Tavares, Aglae Miranda, Marília Bezerra de Melo, Luciana Patriota, Eveline Knychala, Ieda Cortez, Silvana Galvão, Marisa Nóbrega e Fernanda da Jalaboturismo!

Um brinde à vida!

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