Mont Ventoux – parte I

Em tempos de competição de ciclismo, meu marido assiste na TV aos Tours da França, Espanha, Itália e Suíça. Para mim, basta uma passadinha rápida pelos cenários incrivelmente belos das paisagens naturais ou dos monumentos que são mostrados nos percursos.

Numa viagem à França, surgiu a oportunidade de conhecermos o Mont Ventoux, uma das etapas mais difíceis do Tour de France. Subimos de carro, deslumbrados com a altura do monte, o número de ciclistas que encaram o desafio e a vibração de quem chega lá reverberando pelos poros.

No percurso, testemunhamos um ciclista desconhecido que sucumbiu ao esforço do coração, morrendo no meio do caminho. Só descobrimos o motivo da ambulância na estrada desviando os passantes, ao chegarmos ao topo do monte. Um brasileiro, que também enfrentara o desafio, nos relatou o triste e lamentável ocorrido.

Conhecendo meu marido, logo percebi a sua intenção de também encarar os 1.912m de altitude na próxima visita. Combinou com o irmão que subiriam juntos.

Esse ano foi de preparativos e treinos nas pequenas ladeiras de nossa cidade e serras do Estado que, nem de longe, aproximam-se da altitude do monte. Treino acumulando inclinações. Antecipadamente, entramos em contato com uma locadora de bicicleta em Bédoin e reservamos uma VTT para Henrique e uma bike elétrica para George, seu irmão.

Hora de arrumar a mala. Capacete, sapatilhas, bretelle, luvas, GPS e caramanhola na bagagem. Na cabeça dele, imagino, a expectativa era grande. Em junho, viajamos com a família e o roteiro incluía uma parada na Provence. Saint-Rémy-de-Provence foi a cidade escolhida para estadia. De lá para Bédoin são aproximadamente 60km em uma hora de carro.

No dia marcado, acordamos cedo, tomamos um café da manhã reforçado e partimos para Bédoin, cidade ao pé do Mont Ventoux, totalmente voltada para o ciclismo. No trajeto, leitura de depoimentos de ciclistas que subiram o monte e a descoberta que o trajeto partindo de Bédoin é o mais difícil. Uma informação a mais para incrementar o desafio.

Na locadora, as bikes já estavam separadas. Rápidos ajustes, instruções de como utilizar a bicicleta elétrica, caramanholas abastecidas, sachês de mel nos bolsos. Informação de que o percurso no asfalto era mais “fácil” do que em trilha (média de duas a duas horas e meia de duração), temperatura de 24 graus e partiu Mont Ventoux na D-974.

Eu e minha cunhada Micaela no carro de “apoio”, mais para cinegrafistas e fotógrafas. Mas, como diz o ditado, “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, ela – que é médica – estava de prontidão para o caso de uma urgência ou emergência.

Sim, se as condições climáticas estiverem boas, a D-974 fica aberta e o carro chega até o topo também. Basta dirigir com cuidado e respeitar a preferência dos ciclistas, é claro.


Mont Ventoux – GCN’s Epic Climbs

Acesse também: Desafio da Serra e Motorista de ciclista

Leia também

4 comments

  1. Elza,tenho inveja de quem pratica esportes e desta maneira que Henrique faz ,deve ser muito gratificante para o espírito!Descreveu muito bem!Em frente!

    1. O esporte é muito saudável, mas deve ser praticado com moderação, como tudo na vida. Acompanhar Henrique nas pedaladas proporciona muitos momentos de prazer. Valeu!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *