O mercado milionário das artistas plásticas brasileiras

As pintoras brasileiras estão em alta no mercado da arte. No dia 17 de novembro, a tela “A Caipirinha”, de Tarsila do Amaral, bateu recorde ao ser arrematada por R$ 57,5 milhões, no leilão promovido pela Bolsa de Arte de São Paulo.

Detalhe: a obra, apreendida na Operação Lava Jato, foi a leilão por determinação judicial. O seu comprador terá que fazer o depósito judicial da quantia ofertada e não terá certeza se a tela será sua, porque ela ainda é alvo de disputa judicial.

Na obra, Tarsila resgata as cores que adorava em criança, rompendo a opressão de serem feias e caipiras. Quarenta e sete anos após a sua morte, a interiorana paulista – artista-símbolo do modernismo brasileiro – sedimenta-se como uma das mais valiosas pintoras brasileiras.

Abaporu | Tarsila do Amaral

Como artistas plásticas vivas, as cariocas Beatriz Milhazes e Adriana Varejão também estão incluídas nesse cenário milionário. Em 2016, uma obra de Beatriz foi arrematada por U$ 4 milhões na feira SP-Arte.

Obra de Beatriz Milhazes arrematada por U$ 4 milhões em 2016

Em 2020, mesmo com todas as limitações impostas pela pandemia, Beatriz Milhazes invadiu a Avenida Paulista. Suas obras estão expostas, simultaneamente, no Itaú Cultural e no Museu de Arte de São Paulo – MASP.

Obras de Beatriz Milhazes

Na exposição, o público poderá conhecer e percorrer a trajetória profissional da artista plástica em um arco temporal de produção que segue de 1990 a 2020. A mostra apresenta uma ampla seleção de pinturas, gravuras, colagens e obras tridimensionais, além de trabalhos inéditos realizados em parceria com a coreógrafa Márcia Milhazes, irmã da artista.

Adriana Varejão, com forte influência barroca nas suas telas, também é conhecida por trabalhos em azulejos. Suas obras já foram arrematadas por cifras milionárias e ocupam os mais importantes museus de arte contemporânea do mundo.

Adriana Varejão | Azulejos

Em 1976, o IBGE realizou um censo com resposta livre, em que indagava “qual a sua cor”? Foram identificados 136 termos diferentes: branca suja, café com leite, agalegada, quase branca, burro-quando-foge, cor firme, morena-bem-chegada, morena jambo, sapecada, retinto, encerada, bahiano, queimada de sol…

Com essa informação, Adriana desenvolveu uma instalação com onze autorretratos semelhantes, pintados à maneira clássica, onde a pele muda de cor, indo da mais escura para a mais clara, passando por vários matizes.

As pinturas remetem aos retratos de nobres comumente encontrados nas paredes de mansões da época colonial. Em cada um deles, inseriu uma tabela de cor que remete a um estudo cromático utilizado para chegar ao tom de pele retratado na pintura.

Adriana Varejão e a série Polvo

Nas palavras de Adriana Varejão, “um olhar mais atento logo capta que se trata de pura ficção, que visa justamente questionar a validade científica de qualquer classificação de cor existente”.

O talento das brasileiras está em evidência. Em arte, tudo é muito subjetivo, até mesmo o valor que cada um está disposto a pagar, a depender de sua condição financeira.


Beatriz Milhazes: Avenida PaulistaItaú Cultural: 12 de dezembro de 2020 a 30 de maio de 2021; Masp: 18 de dezembro de 2020 a 30 de maio de 2021.


Conheça um pouco da obra de Tarsila do Amaral, clicando aqui: Tarsila Popular.


Beatriz Milhazes |”Arquitetura da Cor”
Adriana Varejão: Studio Visit

Acesse também: Inhotim, um jardim botânico com arte.

Leia também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *