Posse no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Foto obtida no site do IHGRN

08 de junho de 2021, amanheci em estado de euforia para posse como membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN –, indicação do confrade Graco Aurélio, a quem lhe sou muito grata.

Cheguei na companhia de Henrique e logo encontrei Lalinha, madrinha e confreira – número de convidados reduzido por causa da pandemia. Máscaras nos rostos que escondem o sorriso, mas ressaltam o olhar.

Subi os degraus como se regressasse alguns anos atrás. Vasculhei nos papeis da memória a época das pesquisas para escrever o livro “No Rastro das Águas”, tendo como orientador o historiador Olavo de Medeiros Filho, que fez do Instituto a sua segunda morada.

O Presidente Ormuz e Joventina, juntamente com a sua equipe, providenciaram para que a solenidade fosse rápida, como exige o protocolo em tempo de pandemia. Foram empossados também Antônio Alberto Cortez e Dácio Galvão.

Ao receber o diploma, fiz um ligeiro apêndice para ressaltar a importância daquele momento na nossa família. Estava dando continuidade ao legado de Francisco de Salles Meira e Sá, meu trisavô materno, um dos fundadores da mais antiga instituição cultural do Rio Grande do Norte.

Meu interesse por história corre nas veias pelos dois lados. Haroldo de Sá Bezerra, meu pai, também era um aficionado pelo resgate de nossa memória.

Ingressar no prédio histórico é percorrer o território de sedimentação da cidade de Natal. Construído em 1906, no estilo neoclássico, abrigou o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte e passou à sede do IHGRN de 1908 a 1926 e de 1938 até os dias atuais, ocupando o corredor cultural que parte da Ribeira e se estende até a Igreja do Galo.

Para celebrar a posse dos novos membros efetivos, os violoncelistas Fabio Presgrave e Diego Paixão brindaram os presentes com os acordes do Hino Nacional. Feliz de estar espalhando sua música pelas paredes de um edifício tão importante na preservação de nossa história, geografia, arte e cultura, Fabio ainda teceu uma aula sobre os áureos tempos de Natal como importante celeiro de músicos extraordinários.

A chegada em Natal, por volta de 1907, do músico e professor italiano Thomaz Babini provocou uma mudança na história da música brasileira, em especial do violoncelo mundial. O “efeito Babini” auxiliou na formação dos renomados violoncelistas Aldo Parisot, Italo Babini, Mario Tavares, Nany Devos e Waldemar de Almeida Jr.

Para quem não tem a cultura e erudição do professor Fabio, importa saber que Thomaz Babini foi amigo e assistente de Heitor Villa-Lobos na orquestra sinfônica do Rio de Janeiro, tornando-se primeiro violoncelista.

Aldo Parisot, nascido em Natal no ano de 1918, apresentou-se como solista de orquestras como as Filarmônicas de Berlim, Londres e Nova Iorque, as Sinfônicas de Boston, Chicago e Munique, além de ter sido professor na Yale School of Music, nos Estados Unidos, por 60 anos.

Italo Babini, nascido também da cidade de Natal, no ano de 1928, estudou com Thomaz Babini por aproximadamente dez anos. Foi primeiro violoncelo da orquestra de Detroit por mais de quarenta anos, e solista de orquestras como Londres e Helsinque.

Mário Tavares nasceu em Natal, em 1928; violoncelista, maestro e compositor, dirigiu a Orquestra Sinfônica do Teatro do Rio de Janeiro durante 38 anos. Nany Devos ocupou o lugar de primeira violoncelista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro por décadas. Waldemar de Almeida Junior foi solista da Filarmônica de Berlim, da Sidney Opera House e da Opera de San Francisco.

No presente, o som dos violoncelos resgatando a maestria dos antigos por novas mãos. As paredes do salão nobre do IHGRN encheram-se do som marcante do duo musical de cellistas. Valsa Royal Cinema, de Tonheca Dantas; Lamento Sertanejo, de Dominguinhos; Eleanor Rigby, dos Beatles; e Feira de Mangaio, de Sivuca e Glorinha Gadêlha foram brilhantemente interpretadas, comprovando que música boa e permanente é música bem-feita!

Ao final da cerimônia, uma rápida conversa com Diego Paixão já me fez imaginar o aproveitamento do espaço e da acústica da Casa da Memória para fazer revigorar e reverberar a música erudita como forma de fomentar a arte e a história do Rio Grande do Norte.

Mario Tavares – Dança UFRN CELLOS, Dir. Fabio Presgrave

Acesse também: A histórica fazenda Acauã, Pedal histórico-cultural em Natal – Parte I e Parte II, Aero na memória.

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10 comments

  1. Que belo texto e importantes informações sobre esses talentos musicais do RN.

    Parabéns aos novos integrantes dessa casa de cultura e preservação da memória do RN.

    Saudo aos três novos integrantes em particular meu fraterno amigo Cortez.

    1. Gabriel,

      A vida é feita de eternos aprendizados. Na posse, o professor e músico Fabio Presgrave deu uma ligeira aula sobre esses talentos musicais do RN, tão pouco valorizados aqui.

      Muito obrigada, vamos trabalhar em prol da memória e cultura do nosso Estado.

      Abraço

      1. Parabéns, Elzinha!
        Você é brilho só!
        É mais que merecida sua indicação como membro efetivo do IHGRN. Eu viajo no meu imaginário com a forma como você retrata os fatos e me faz relembrar as histórias da nossa terra e do nosso tempo!
        Nosso abraço, Janaina e Fábio

        1. Janaína e Fábio, muito obrigada amigos. Fiquei muitos feliz com a nova missão. Vou trabalhar para preservação e valorização de nossa memória. Grande abraço

  2. Parabéns não só por abraçar mais essa função, mas por valorizar a nossa cultura com entusiasmo e amor.
    Desejo sucesso e mais projetos!

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