Tempo de arrumar a biblioteca

Tempo de arrumar a biblioteca. Pequenina como eu, mas de imenso valor pessoal. Decidi deixar os livros que mais gosto, porque, para mim, o toque, o cheiro e o manuseio ainda são elementos importantíssimos da leitura.

Passei por livros que nem lembrava que tinha lido, mas sei que construí muito do que pouco sei através deles.

“Uma vida entre livros – reencontro com o tempo”, de José Mindlin está aqui; nada mais adequado e com direito à dedicatória do Autor, que, certa vez, me recebeu carinhosamente para um almoço em sua residência, com direito a uma visita explicativa de sua biblioteca.

Na infância fui leitora de revistas em quadrinhos, depois sonhei com os romances juvenis, enveredei por leituras mais sérias. A filosofia me fez pensar profundamente, mas decidi emergir, para não entrar em parafuso. Um pouco de desconhecimento tem o seu valor.

Para mim, a História está sempre presente. Pois não é que encontrei um exemplar de “História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil e noutras partes sob o governo do ilustríssimo João Mauricio Conde de Nassau”, de Gaspar Barléu, publicado pela Universidade de São Paulo em 1974!

Mãe de dois filhos, voltei à universidade. Deixei de lado a frieza dos cálculos econômicos e me debrucei sobre a Justiça.

Do exercício do Direito por mais de 10 anos, aprendi que todo fato tem, pelo menos, duas versões. Duvido da imparcialidade da condição humana. Na frente dos livros, uma lanterna antiga, uma estatueta de Themis e outra de Afrodite – que tragam luz, equilíbrio e beleza ao difícil caminho da Justiça.

Nas prateleiras que a vista alcança melhor, livros que, um dia, poderei relê-los, porque só quem tem ideia fixa é maluco, prefiro ser uma metamorfose ambulante, relendo sob uma ótica diferente a cada dia.

Noutra prateleira, a literatura potiguar, porque a noção de pertencimento nos aproxima. E a fileira de livros está crescendo… sinal que os escritores da minha terra estão bem ativos.

Desci os livros infantojuvenis para a prateleira mais baixa. Quero ver se o neto se aproxima deles com mais facilidade.

Nos últimos anos, tenho me dedicado à poesia, gênero que até bem pouco tempo, pouco li. Venho me encantando e procurando ficar mais leve…

Uma sequência de livros, que mais parecem os quadrinhos de um filme em baixa rotação…Fotografias, livros de culinária, viagens (ainda não perdi a vontade de renovar a alma!). E as lembranças dos lugares por onde passei estão aí.

As biografias ocupam um bom espaço. Depois de Múltipla, será este o tema do meu próximo livro?


José Mindlin

“Me dei conta de que, através dessa história, poderia talvez estimular em outros o amor ao livro, e, principalmente, o amor à leitura. Inocular esse vírus é, aliás, uma coisa que venho procurando fazer a vida inteira, ora com sucesso, ora sem resultado. Para alguns eventuais leitores é bem possível que nada do que vou contar seja novidade, mas, se conseguir despertar em outros algum interesse por um tema que me é tão próximo, dar-me-ei por satisfeito.”

Leia também: Sertão, Seridó, Sentidos; Portinari para todos; Domingo de chuva, jazz e leitura; Ponte Newton Navarro.

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4 comments

  1. “…para mim, o toque, o cheiro e o manuseio ainda são elementos importantíssimos da leitura.” 👏🏻👏🏻 E quando está marcado com os textos mais importante, melhor ainda eheheheh

  2. Elzinha,sabe o que mais me encanta em você? É a extrema humildade, misturada com tanta simplicidade e sabedoria…ao ler seus escritos, parece que estou ouvindo seu movimento, é muito bom e relaxante…

    1. Nildinha, parece que essa tranquilidade é mais na escrita, deve ser minha válvula de escape, rsrsrs. Muito obrigada pelo carinho.😘😘😘

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