Tonico e Maya Gabeira, exemplos de superação

Foto de Maya Gabeira capturada na internet.

Os dois começaram a surfar na adolescência. Ele, aproveitando o embalo do surf nos anos 70 na capital potiguar; ela, nas ondas da praia do Arpoador, Rio de Janeiro, início do novo milênio.

Tonico e Maya Gabeira, cada um em seu tempo, mergulhados no mar, tirando proveito das ondas.

Aqui em Natal, as ondas não eram lá essas coisas, mas o adolescente rebelde encontrou-se com o esporte, numa época em que estava longe da profissionalização dos dias atuais. O mar era sua praia; além do surf, a vela também lhe despertava paixão.

Ela mergulhou no Arpoador, mas encantou-se mesmo pelas ondas gigantes. Desafiando um esporte predominantemente masculino, mostrou que a mulher também sabe entrar no mar. Do Rio de Janeiro, partiu para morar no Havaí e nunca mais desvencilhou-se das ondas. Atualmente, mora em Nazaré, Portugal, lugar ideal para seus treinos.

Aos vinte e cinco anos, em 1988, Tonico sofreu um acidente de carro, teve uma lesão irreversível na coluna e ficou paraplégico. Passou a encarar a vida de outro ângulo, sem nunca deixar de lado o espírito rebelde, inteligente, sagaz e desafiador. Superou o trauma e seguiu em frente. Compete na modalidade de arrancadas no automobilismo e já trouxe vários troféus para casa.

O surf continua como esporte favorito, acompanhado por meio da tecnologia nas transmissões dos diversos campeonatos da WSL.

Em outubro de 2013, aos vinte e seis anos, Maya sofreu um acidente em Nazaré, tentando quebrar o recorde mundial. Ficou desacordada, foi socorrida pelo amigo, também surfista, Carlos Burle, fraturou o tornozelo e teve uma lesão reversível na coluna. Guerreira nata, enfrentou um processo lento de recuperação física e psicológica e voltou ao mar.

Cinco anos depois, Maya bateu o recorde mundial de ondas gigantes surfadas por mulheres, justamente em Nazaré, ao surfar uma onda de 20,7m, e entrou para o Guinness Book.

Prancha usada por Maya Gabeira para bater o recorde em 2018

No início de 2020, Tonico realizou o sonho de assistir, ao vivo, as ondas gigantes de Nazaré. Depois de checar a previsão do tempo, organizou rapidamente a viagem, juntamente com Haroldinho (irmão), Luiz Felipe (sobrinho) e o amigo Flávio Oliveira.

No dia 11 de fevereiro de 2020, os viajantes instalaram-se no alto do monte que abriga o Farol, com vista privilegiada para assistir ao campeonato Tow Surfing Challenge. Encarando as ondas de Nazaré, estava Maya Gabeira.

Mar gigante, jet skis auxiliando e resgatando os surfistas; cada um assumindo os riscos de surfar em condições dramáticas. Roupas adequadas para enfrentar o frio, colete inflável embutido, pranchas entre 9kg e 10kg e milhões de litros de água na cabeça.

Maya Gabeira e Justine Dupont eram as únicas representantes femininas na disputa, apesar de o campeonato constar como Men’s Big Wave. Mais uma vez, ela mostrou completa recuperação física e mental, força de vontade e superação, descendo as ondas gigantes.

Em 10 de setembro, veio o anúncio: a big rider brasileira quebrou novamente seu próprio recorde, surfando, naquele dia, uma onda de 22,4m, ultrapassando a marca masculina desse ano de 21m do havaiano Kai Lenny.

Maya comprovou que homens e mulheres podem surfar ondas gigantes em igualdade de condições. Tonico estava lá testemunhando.

Histórias que se coincidem no exemplo de superação. Duas formas distintas de encarar os medos, ultrapassar os desafios da vida e angariar conquistas, tendo o surf como elo de conexão.


Maya Gabeira estabelece novo recorde mundial com onda de 22,4 metros [Surf Notícias] | 2020
Maya Gabeira at Nazaré – World Record Holder – WSL Big Wave Awards | 2018

Acesse também: Encarando as ondas de Nazaré; Entrevista com Jadson André; Surf, deu Baía Formosa no Pipe Masters e no WCT; Eu vou para Shagri La e Surf nos anos 70.

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