No Rastro das Águas – Capítulos 44 e 45

(…) E assim ele ia levando a vida. Em meio à seriedade costumeira, principalmente quando tratava de negócios, sempre achava um tempinho para as brincadeiras com os amigos. Divertia-se bastante nesses casos e não desperdiçava uma boa oportunidade para armar das suas. Essas brincadeiras serviam até para desanuviar o clima tenso dos últimos dias da guerra, que continuava, infelizmente, a fazer vítimas. Capítulo 44 Agora era pra valer. O Presidente Getúlio Vargas já adiara o possível. Em julho de 1944, embarcou o primeiro escalão da FEB, com destino a Itália. A fase de intensos preparativos ficara para trás; a partir […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 42 e 43

(…) No dia 20 de fevereiro de 1943, Eleika veio ao mundo. A alegria de sua chegada foi abafada pela morte de Antônio Bezerra, que faleceu em Currais Novos, quatro dias após o nascimento de sua neta. A cirrose venceu a guerra. Triste e abatido, José Bezerra só conheceu sua filha após a cerimônia do enterro. Aos trinta e quatro anos, sentiu profundamente a ausência de seus pais, que partiram tão cedo, vítimas de doenças distintas. Graças aos ensinamentos transmitidos por eles, podia caminhar com seus próprios pés. Com a família crescendo, esperava desempenhar, com a mesma desenvoltura, a lição […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 40 e 41

(…) O dia de retornar a Currais Novos estava próximo. Antes do anoitecer, José Bezerra dirigia-se até um alto, próximo a Muriú, observando a existência de “torres” pros lados do sertão. Aguardava a noite chegar, na tentativa de vislumbrar relâmpagos na mesma direção. Seu coração estava apreensivo. Não tinha notícias de chuva, tudo indicava para mais uma seca. A lua começava a minguar, levando consigo a esperança do sertanejo. A maré morta despediu-se dos veranistas. Revigorado pela temporada no litoral, José Bezerra podia retornar à sua terra. Antes, porém, deveria passar na Capital para inteirar-se dos últimos acontecimentos da guerra. […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 38 e 39

(…) A onda de nacionalismos extremados, encarnados principalmente pelo nazismo alemão e fascismo italiano, transformou-se num conflito armado. Em 1º de setembro a Alemanha tinha invadido a Polônia; dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha. A Segunda Guerra Mundial tinha começado na Europa. Os ouvintes ficaram alarmados. Desde a noite anterior, quando uns poucos ficaram sabendo da guerra, não se falava em outra coisa na cidade. O assunto renderia toda a feira a ainda sobraria para os próximos dias. Na época da Primeira Guerra Mundial, não se tinha notícias pelo rádio, pois este nem sequer […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 36 e 37

(…) Dentro dessa realidade, José Bezerra passou a administrar os escassos recursos da Prefeitura, e assim tornou-se um homem público. Não precisou alterar seu comportamento. Nascido e criado numa sociedade pequena e conservadora, sob rígidos padrões de educação, qualquer que fosse a postura, fosse do homem público, fosse do homem privado, sua retidão de caráter estaria sempre presente. Capítulo 36 O movimento começou cedo na casa do Prefeito. O Plymouth já estava repleto e ainda faltava acomodar alguns pertences. A família aumentou, em 1º de maio de 1937, Haroldo ganhou um irmão, Franklin de Sá Bezerra, nascido em Ceará-Mirim, pois […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 34 e 35

(…) Os trinta dias logo se passam, para tristeza dos avós maternos, que logo serão privados da companhia de seu primeiro neto. Os paparicos aumentam e a saudade começa a bater. Em abril, Yvete e José Bezerra retornam a Currais Novos. Vão ao encontro de Antônio Bezerra, aflito para conhecer seu primeiro neto. Seu temperamento alegre e brincalhão ressurge com toda força. Seu encantamento é visível, bem mais perceptível do que o de seu filho. Nesse aspecto, José Bezerra era bem mais parecido com sua mãe. Haroldo veio dar novo ânimo à vida de seu avô paterno, que desde muito […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 32 e 33

PARTE DOIS: ALÇANDO VOOS MAIS ALTOS (1936-1966) Capitulo 32 Após o jantar, a quietude tomava conta de Currais Novos. O movimento já diminuto de cidade de interior, reduzia-se ainda mais. Apesar do calor fustigante durante o dia, o clima amenizava-se à noite. Era uma boa hora para uma conversa entre amigos e familiares, aproveitando a luz do motor, que permanecia acesa até às vinte e três horas. O paleio fazia as vezes do rádio, ainda inexistente no município. José Bezerra apreciava uma boa conversa e costumava frequentar a casa de seu avô, Manoel Salustino. Era lá que estava quando recebeu […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 31

(…) Foram seis horas de uma viagem por um caminho nunca antes percorrido por Yvete, mas cheio de descobertas. A vegetação foi ficando mais escassa, retorcida, mas apresentava-se verde, consequência do bom inverno. O pôr-do-sol à sua frente, por detrás das serras, foi magnífico. Apesar da expectativa, sentia-se segura junto a José e um rubor lhe subiu às faces, pensando em sua noite de núpcias. Exaustos, encontraram Antônio Bezerra e D. Ritinha esperando-os. Foram muito bem recebidos e acomodados na casa de Tomás Galvão, seu primo, que se encontrava na fazenda, pondo-a à disposição dos jovens nubentes até que a […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 30

(…) Os carcarás da política tinham subtraído do Seridó um filho forte. Dr. Otávio foi enterrado de peitoral, traje típico daqueles que campeiam nas matas retorcidas do sertão, protegendo-os dos espinhos do caminho. Junto foi seu habeas corpus, inútil para conseguir sua liberdade. De combinação, dando os últimos retoques para colocar o vestido branco estendido sobre a cama, a cabeça de Yvete funcionava a mil por hora. Ao mesmo tempo, checava os detalhes do vestido, procurava saber a hora, perguntava pelo fotógrafo, pelo juiz e se estava tudo sob controle. Muito prática e cumpridora dos horários, não queria deixar ninguém […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 29

(…) Chegou o dia de Yvete retornar a Ceará-Mirim e ele a Currais Novos. O moço elegante, viajado e conservador do sertão norte-rio-grandense provocou um interesse crescente na jovem senhorita. E ela, com seus ideais avançados, posto que vinha de uma região onde as transformações se processavam mais rápido, despertou admiração recíproca. O encantamento de José Bezerra pelos canaviais, que permaneceu tanto tempo adormecido, veio aflorar na pele de Yvete. Os encontros passaram a ser nos finais de semanas, quando ambos estavam na Capital. Rapidamente, em 11 de janeiro de 1935 selaram o compromisso de noivado. O dia estava bonito, […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 28

(…) Decidiu levantar a cabeça e os negócios. Seu pai era uma figura muito querida em seu meio e ainda podia contar com vários amigos influentes. Depois da estiagem de 1932, José foi convidado a trabalhar como agente da firma de exportação de algodão, Lafayette & Lucena, mantendo a antiga freguesia de seu pai, com quem se associava. A época coincidiu com a retomada da valorização do algodão, que passou a ganhar terreno no mercado externo. Devido à grave crise americana, os Estados Unidos criaram o plano de revitalização, “New Deal”, que limitou a produção agrícola, fazendo subir, artificialmente, os […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 27

(…) No último mês do ano, em plena efervescência política, Jose Bezerra foi diplomado. Terminou o curso de Agronomia, mas não retornou imediatamente à sua terra. Devido ao desempenho verificado no decorrer do curso, e também por influência da família de sua noiva, foi nomeado para um patronato agrícola no interior de Minas Gerais. De passagem para fazenda Macacos, parou para observar o trabalho dos homens. Peles queimadas, braços fortes em corpos esqueléticos suados. Pouco a pouco o açude tomava forma. O IFOCS tentava garantir a permanência do homem na região, construindo o Totoró para armazenar água na invernada, com […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 26

(…) O acontecido foi manchete nos diversos jornais do Estado e José Bezerra lia cada linha com muita atenção, envaidecido com a coragem dos potiguares. Relatando o acontecido à sua noiva, pôde perceber o crescente entusiasmo de sua interlocutora. Atenta a cada palavra, Dulce deu asas à imaginação e viu-se em meio ao tiroteio, fantasiando cenas de mocinhos e bandidos, como nos filmes de faroeste americano, em que travavam um duelo para desfrutarem da simpatia da mocinha. Despertou ao chamado de José Bezerra, que a trazia de volta do sonho distante. O curso já estava prestes a acabar. Os anos […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 25

(…) A viagem pelo litoral brasileiro serviu para incrementar seu amor à praia. Durante o percurso, a rapaziada não pôde deixar de presenciar, dia-a-dia, a disputa pela beleza de cada pôr-do-sol. Incrementavam o repertório para o romantismo das declarações de amor às jovens de então. Fotos foram tiradas e, com toda a energia da idade, planejavam as ações para os próximos quatro anos na capital mineira. A viagem no vapor prosseguiu até à capital da República. Extasiados, descobriram a beleza natural do Rio de Janeiro e de lá tomaram o trem com destino a Belo Horizonte. A adaptação a Belo […]

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No Rastro das Águas – Capítulo 24

(…) As férias estavam acabando e José tinha que planejar seu futuro. Os estudos ainda não eram muito bem aceitos pelos fazendeiros, mas as viagens constantes de seu pai tinham permitido que ele desfrutasse de uma visão mais progressista. Sob a influência de amigos e comerciantes, Antônio não teve dificuldade em convencer José a estudar Agronomia, em Belo Horizonte. Sua futura profissão contribuiria para levar à frente as atividades de seu pai e o manteria em contato com a terra. Escolheram uma profissão bem atualizada para a época, tendo em vista que o próprio governo estadual investia na melhoria da […]

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