Mãos em trama

No dia mundial da fotografia, posto “Mãos em trama”, crônica publicada no livro “Sertão, Seridó, Sentidos”, que retrata a região em imagens e palavras. Piso os caminhos do Seridó. Nas poucas casas de fazendas habitadas, lamento a perda dos hábitos seculares, egoísmo de uma moradora urbana, na contramão do conforto trazido pela modernidade, agora acessível até para os que aqui ficaram. Conforto-me com a parede escurecida pelo fogão a lenha, […]

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Sertão noturno

Porque tem dias que a vontade de voltar às raízes bate com força. Saudades do Sertão, Seridó. Sono e sonhos embalados pelo chocalho dos ruminantes… Casacas de couro chegam aos ninhos vistosos, ecoando de sertão afora um canto inconfundível, avisando o cair da tarde. No poente, o sol derrama um laranja intenso, derradeiro esforço de luminosidade, esmaecendo rapidamente até revelar apenas vultos de serra, de árvores, de gente. Ao surgir […]

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Ouro branco

No dia que já foi considerado o Dia Nacional da Poesia, publico o poema “A Apanha”, de Zila Mamede. Aproveito a oportunidade para disponibilizar mais uma crônica do livro “Sertão, Seridó, Sentidos”. Um sonho sobre a época do Ouro Branco povoando nosso chão. Ouro branco Uma imagem confusa, embaraçada, clareando aos poucos. No meio do campo tingido de flocos brancos, vi-me pequenina, de bisaco a tiracolo, recolhendo, com certa dificuldade, […]

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Sabor preservado

Ler é um passatempo gostoso. Seguindo as linhas do livro “Comer é um sentimento”, do crítico gastronômico François Simon, deparei-me com a frase seguinte: “Ao concentrar-se em um lapso de tempo reduzido, um prato revela todo o seu sabor, o seu sal e a sua verdade”. As palavras ecoaram na minha mente e levaram-me à crônica sobre a comida sertaneja tão presente na memória gustativa da infância, revelando todo o […]

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Aboiando

A crônica “Aboiando” faz parte do livro Sertão, Seridó, Sentidos. O terceiro domingo do mês de julho foi escolhido como o “Dia do Vaqueiro Nordestino”. Compartilho com você leitor a minha homenagem a essa figura tão importante da cultura do Nordeste. O vaqueiro veste orgulhoso a perneira marcada pelos estribos e passa as correias do guarda-peito pelo pescoço. Do lado de fora da casa, calça as esporas e dirigi-se ao […]

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Permanente robustez

O mês de julho é bastante significativo para o seridoense, que não o conhece pelo nome, mas como mês de Santana. Para mim, era sempre a época de aproveitar a festa de Santana e percorrer as terras dos meus antepassados, marcadas pela robustez das pedras que sedimentam a devoção ao Seridó. Este ano, por causa da pandemia, as festas religiosas e pagãs estão suspensas. Para marcar esse momento, relembro a […]

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Andorinhões errantes

Essa crônica está publicada no livro Sertão, Seridó, Sentidos. Em tempo de isolamento social, sinto vontade de ser um andorinhão, percorrer o mundo sem destino, apenas voando. Embebida pela curiosidade e pelo desafio, topo a escalada. No início, sigo seu passo firme sem muita dificuldade. À medida que a subida toma forma, o coração acelera, fazendo ecoar um batido forte, ritmado. Um tanto preocupada, diminuo a velocidade e me concentro […]

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No Rastro das Águas – Apresentação e link para primeiro capítulo

PREFÁCIO Diógenes da Cunha Lima Mais que história pessoal, familiar, biográfica, é este um livro etnográfico, reconstitui práticas de uma das regiões culturalmente mais ricas do país. O Seridó é uma civilização solidária. As características comuns da sociedade seridoense, em seu conjunto, tornam o seu povo único. Os fenômenos sociais religiosos (Santana, a Padroeira maior), os fenômenos estéticos (as belas moradias, cores, flores e animais saídos das mãos das artistas […]

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