No Rastro das Águas – Capítulos 68 e 69

(…) Lá embaixo, a música começou a tocar. A casa do casal José Bezerra e Yvete estava toda preparada para receber os familiares e amigos de meio século. Era a última grande festa que eles patrocinariam na avenida Hermes da Fonseca, antes da troca de endereço. Os convidados já deveriam estar chegando, eles não se importaram. Inebriados no clima de cumplicidade, prolongaram os momentos tantas vezes compartilhados na intimidade daquelas quatro paredes; afinal, não era todo dia que um casal completava bodas de ouro. Deixassem a música tocar mais um pouco, os convidados podiam esperar. Capítulo 68 De longe pôde […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 66 e 67

(…) O Brasil reza pelo restabelecimento de seu Presidente, mas sua saúde não resiste e ele vem a falecer. Emocionado, o povo vai dar seu último adeus. A eleição de Tancredo, ex-Ministro de Getúlio Vargas e ex-Primeiro Ministro do Brasil, representou o fim da ditadura e dos anos de opressão; a despedida dos brasileiros foi um gesto de decepção e desalento. Decepção, por não verem aquele que tanto lutara pela abertura política tomar conta dos destinos da nação; desalento, por temerem que a sua morte colocasse tudo a perder. Os mais novos nem se dão conta do momento histórico, mas […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 64 e 65

(…) Mas chegou o dia do retorno a Natal. Os carros deveriam passar a qualquer custo pelo rio. Foi montada uma verdadeira operação de guerra, com os poucos recursos existentes. A profundidade nem era tanta, mas a correnteza estava forte. Juntaram os homens da fazenda, trouxeram cordas e deram início à travessia. Um a um, os carros foram atravessando, molhando os distribuidores, engasgando afogados. As crianças foram atravessadas de charrete e no lombo dos animais, mas, ao final, tudo deu certo. Mesmo água em excesso era melhor que estiagem. Capítulo 64 Lá vinha Yvete de novo com suas propostas de […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 62 e 63

(…) O cargo que assumiu adequava-se muito bem a suas pretensões profissionais. A direção da Acauan não consumia muitas energias, as diretrizes da empresa e as ações a serem executadas estavam previamente determinadas pelos acionistas majoritários. Já passando dos sessenta, José Bezerra adaptou-se bem à nova atividade e pôde dispor de tempo para cuidar de suas fazendas. A Acauan começou a produzir no final de 1970, quando o currais-novense Cortez Pereira tinha acabado de ser eleito indiretamente para o governo do Estado do Rio Grande do Norte. Capítulo 62 Os noventa milhões de brasileiros vestem a camisa da Seleção Canarinha, […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 60 e 61

(…) José Bezerra assistiu a tudo entusiasmado, mesmo temeroso pelas transformações sociais; era característica sua colocar-se a par dos episódios marcantes da História. Sabia que aquele passo era grande demais para humanidade, reflexo do desenvolvimento da tecnologia. Acompanhou a volta dos heróis mundiais e se perguntou até onde o homem iria aventurar-se. Ao mesmo tempo, sentia-se diminuto em face dos acontecimentos. Se para ele, a ida do homem à Lua era um feito extraordinário, imaginem a reação dos habitantes rurais, isolados das transformações ao seu redor. Muitos deles nem acreditariam na epopeia. Capítulo 60 Sempre que não suportava acompanhar o […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 58 e 59

(…) De volta ao Brasil, encontrou sua terra em preparativos para eleição que ocorreria em outubro de 1965. Aluízio Alves consolidara sua força política e consegue eleger seu sucessor, o Monsenhor Walfredo Gurgel, derrotando aquele que se tornou seu inimigo político, o ex-Governador Dinarte Mariz. O gosto pela política vai perdendo o viço em José Bezerra. O veneno da mosca azul já não fazia efeito. Perto de terminar a suplência de Senador, faz uma análise do pouco tempo de vida pública e chega a uma conclusão: o mundo da política era bem mais complexo do que o imaginado; as negociatas […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 56 e 57

(…) Em Brasília, a nova Capital Federal, inaugurada no ano anterior por Juscelino, o Presidente Jânio da Silva Quadros recebeu a faixa presidencial na mesma data. Numa vitória avassaladora, a UDN, finalmente, saíra vencedora nas urnas. Como a legislação eleitoral permitia, o Vice-Presidente eleito foi o petebista, João Goulart, ex-Ministro do governo Vargas, que disputou o cargo em outra coligação. Capítulo 56 A chegada da UDN ao poder nacional é logo frustrada com a atitude de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961. José Bezerra, assim como o resto do país, recebe estarrecido a notícia de sua renúncia, sete […]

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No Rastro das Águas – Capítulos 54 e 55

(…) Nesse meio tempo, um acontecimento histórico no futebol brasileiro veio amenizar o sofrimento causado pela seca. A Seleção Brasileira deslumbrou os torcedores que lotaram os estádios suecos, durante a realização da Copa do Mundo. Nos pés de Vavá, Didi, Garrincha, Newton Santos, Zagalo, Belini, e no jovem prodígio, Pelé, a bola traçava o caminho certo para o gol. Do lado brasileiro, Gilmar esbarrava a pretensão dos adversários. Jogando com muita arte, o futebol brasileiro alcançou um lugar definitivo na galeria dos campeões, derrotando, na final, por cinco gols a dois, a seleção anfitriã. A Suécia rendeu-se à superioridade adversária […]

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