Muros, muralhas, murais

Kobra | Cacau | São Paulo, 2017 | Foto capturada no site do artista O muro surgiu para proteger e impor limites. De arbustos, varas, madeiras, pedras, alvenaria ou qualquer material que lhe faça a serventia. Cresceu, circundou fortalezas, delimitou cidades, virou uma Grande Muralha, percorrendo mais de 21.000km para defender a fronteira do império chinês. Chegou a dividir uma mesma cidade – Berlim, repartindo a nação alemã em duas doutrinas políticas opostas: a Ocidental (capitalista) versus a Oriental (comunista) em plena Guerra Fria. E ninguém ousasse atravessar essa nova fronteira, corria o risco de morte ou prisão. Mas eis […]

Continue Reading

Haia (Den Haag) e seus encantos

Falando sobre viagem, Quintana enaltece as janelinhas dos trens, que vão tirando sucessivos cartões postais da paisagem. Mas, para quem quer ir um pouco mais longe e descobrir o mundo, tem que abdicar do trem e utilizar o avião, ou, quem sabe, vestir-se de coragem e navegar a Terra, que deveria se chamar Planeta Água. Há dois anos atrás, visitei a Holanda com meu marido. Entramos por Amsterdam, passamos por Utrecht e terminamos nossa viagem em Haia (Den Haag, para os holandeses). Várias janelinhas se abrindo e eu registrando nossos cartões postais no celular. Em Haia, ficamos hospedados no Residenz […]

Continue Reading

Banksy, surpresas e mistérios

Banksy me chamou a atenção no leilão realizado pela Sotheby’s em outubro de 2018. “Menina com Balão” foi arrematada por 1,02 milhão de libras esterlinas, mas tão logo o martelo foi batido, o quadro entrou automaticamente em processo de autodestruição, com uma serrilha embutida na parte de trás picotando metade da obra. A venda foi mantida e o quadro subiu alguns degraus no seu valor de mercado. O quadro reproduz o grafite pintado no muro de Londres, em 2002. No seu Instagram, Banksy postou um vídeo sobre a venda da obra, onde faz a seguinte confissão: “há alguns anos atrás, eu secretamente […]

Continue Reading

Desvendando o gênio Leonardo da Vinci

Fotografia capturada no site do MIS – Experience Retroceda no tempo e sinta-se no continente europeu, quarenta anos antes do descobrimento da América. Mais especificamente no ano de 1452, na Itália, no pequeno vilarejo de Anchiano, na cidade de Vinci, Toscana. Um mundo sem água encanada e energia elétrica, iluminado por velas e lamparinas queimadas a óleo, onde a Igreja Católica, na sua Santa ignorância, impunha como verdade a Terra ser plana. Nem de longe pensava-se o homem poder voar, pilotar um helicóptero, saltar de paraquedas ou mesmo pedalar uma bicicleta. Em plena Idade Média, nascido filho ilegítimo, Leonardo di […]

Continue Reading

Imaginária

Selma Bezerra, minha mãe, vem produzindo ininterruptamente para sua nova exposição, celebrando os seus trinta anos como artista plástica, desde a primeira mostra individual. Ela pediu-me um texto para o catálogo e as palavras fluíram na mesma velocidade que ela vem trabalhando seus papeis. Tentei sintetizar as palavras da artista plástica descrevendo o seu trabalho, que é contemporâneo e indefinido, deixando para cada observador imaginar o que mais lhe identifica, daí o título da exposição – Imaginária. De palpável, a herança sertaneja junto às pedras da região, que deixam marcas e permitem à artista encontrar nos passos dos transeuntes os […]

Continue Reading

Carrières de Lumières

Imagine um pórtico imenso de pedra calcária. Entre por uma pequena porta com tecidos pretos em volta e encontre um vão grandioso, com paredes de até 15m de altura, piso irregular e telas naturais aproveitando o espaço de uma pedreira desativada. Com uma área de aproximadamente 7.000m², a pedreira Carrières de Lumières está encravada no planalto rochoso dos arredores da pequena cidade de Les Baux-de-Provence, região PAC da França. Impressionado com a beleza do espaço, Jean Cocteau decidiu filmar “O Testamento de Orfeu” nas Carrières de Lumières, ainda nos idos dos anos 60. Em 1977, o cenógrafo Joseph Svoboda também […]

Continue Reading

Tarsila Popular

O Touro - Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral “Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado… Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que adatava a época moderna. Contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto de outro“. Ainda adolescente, tive um caderno com a capa do “Abaporu”. Não tinha qualquer […]

Continue Reading

O Ateliê de Aécio

Quadro de Aécio Emerenciano

Quem passa ao largo, ignora. Também, com o mar à frente descortinando o verde que varia do mais escuro na linha do horizonte, passando pelo esmeralda dos canais mais profundos e chegando ao “baldeado” pelo movimento das águas rasas, não podia ser diferente. A primeira providência desse alguém é deleitar-se com o quebra-mar, um pouco mais lá dentro, acusando a presença dos arrecifes submersos que, aqui e acolá, escurecem o verde marinho, vindo dar quase na praia, junto aos botes que descansam seus motores, enquanto seus pescadores repousam nos leitos de suas Marias. As jangadas, escassas, mas ainda presentes, por […]

Continue Reading