Cerejeiras em flor no Japão

Crédito da fotografia: Yoshio Tomii

Todo mundo deve ter uma relação de coisas a fazer ou lugares a visitar ao longo da vida. Isso nos permite sonhar; uma sensação de estar vivo para realizar algo, tipo Jack Nicholson e Morgan Freeman em “Antes de Partir” (fica a dica de um bom filme).

Na minha lista consta uma viagem distante para o outro lado do mundo, numa época específica do ano, lá na terra do Sol nascente. Final de março, início de abril, cheia de expectativas para encontrar as cerejeiras em flor no Japão.

Sakura – para ser mais exata – é a palavra japonesa designada para cerejeira, uma árvore sagrada, adorada desde os primórdios de sua civilização. A flor é considerada símbolo da identidade nacional, que traduz a história, cultura e individualidade do povo japonês, que encontra forte simbolismo nos elementos da natureza.

Para os japoneses, a sakura representa a vida bela e frágil ao mesmo tempo, um forte senso estético e uma apreciação da natureza fugaz daquilo que é belo, mas também simboliza amor, amizade, aliança e esperança.

Com a chegada da primavera, a paisagem branca e fria cede espaço para o desabrochar das cerejeiras ornamentais de várias espécies. São mais de 200 tipos, sendo o Somei Yoshino o mais popular. O Yaezakura tem flores grandes e o Shidarezakura tem ramos que caem como os de um salgueiro-chorão, com belas cascatas de flores rosa.

Os tons do branco e os diversos matizes de rosa inundam a paisagem; é tempo de celebrar a vida. Na antiguidade, a exibição das flores de cerejeira era acompanhada por rituais e celebrações com canto, dança e bebida pelas classes mais altas. Contudo, os plebeus também faziam suas celebrações nas áreas rurais.

Essa prática passou a ser denominada hanami, ou seja, o ato de observar as flores; talvez contemplar seja a tradução mais perfeita. No país que convive bem entre a modernidade e a tradição, o hanami continua a ser praticado por japoneses e turistas que chegam para desfrutar a estação.

Milhares de pessoas enchem os parques para piqueniques sob as árvores preferidas. Nas margens dos rios também são encontrados diversos exemplares da sakura e tornam-se ponto de parada para contemplação. As flores são efêmeras, duram pouco mais de uma semana. Ao caírem das árvores, produzem cenas dignas de belas capturas.

 Crédito da fotografia: Kwok Kwong Chao – Eyeem
Crédito da fotografia: Must do travels

A floração inicia no sul do país e vai subindo em direção ao norte, de acordo com as condições climáticas. Esse ano, o fenômeno começou bem mais cedo e alguns festivais hanamis foram suspensos em razão da Covid-19. Se algum dia você for ao Japão, procure os sites especializados com a indicação da época da floração.

Por aqui, o ipê amarelo é considerado a árvore símbolo do Brasil. Por coincidência, sua floração também é efêmera, dura menos de uma semana e ocorre no final do ano. Falta apenas ser contemplada com a mesma devoção dos japoneses.

Enquanto o sonho não se concretiza, vou observando os vídeos e fotografias dessa delicada beleza natural, sem deixar de acreditar que um dia estarei presente no hanami.


P.S.: Quando os japoneses estiveram em Natal para assistir a uma partida de futebol da Copa do Mundo de 2018, chamaram a atenção ao final do jogo, porque, antes de deixarem o estádio Arena das Dunas, recolheram todo o lixo produzido, numa clara demonstração de sua educação.

No hanami, encontramos mais um exemplo da educação japonesa nas recomendações de sua prática, que deveria muito bem ser aplicada ao Brasil:

  • Trate as árvores com cuidado. Não puxe ou sacuda os galhos. Não colha flores. Não suba nas árvores. Não fique nas raízes das árvores.
  • Cuide bem do seu lixo. Observe que alguns parques não possuem lixeiras. Esteja preparado para levar o lixo para casa.
  • Verifique e respeite as regras locais. Elas diferem de parque para parque. Muitos parques não permitem churrascos. Alguns têm toque de recolher à noite. Alguns não permitem bebidas alcóolicas.

Sakura in 8K
When to See Cherry Blossoms in Japan | japan-guide.com

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