Águas que curam

No filme “Colcha de Retalhos”, uma cena marcante: a personagem Sofia coloca os pés pela primeira vez no lago construído para ela por seu ex-marido no passado perdido. Como praticante do salto ornamental, o contato com a água lhe trouxe boas e antigas recordações, afastou a amargura de longos anos e a vez retornar à plataforma na piscina.

Me transportei para a visita que fiz à fazenda Ingá em março do ano passado. Cheiro de terra molhada; as chuvas escassas chegaram, ressuscitando o leito do rio. As águas turbulentas já tinham acalmado, agora corriam serenas, convidativas.

Sem pestanejar, descalcei os tênis e ingressei no túnel do tempo. Passo a passo na areia grossa do rio, mergulhei na paisagem adormecida. Pensamentos atolados nos ares da infância inocente.

Naquele momento, apenas o canto dos pássaros – que nunca deixaram aquela terra – e as lembranças em ebulição. Rio em paz, barulho das águas correndo tranquilas…

Rio da Fazenda Ingá

De lá para cá, tantas mudanças em tão pouco tempo!

O mundo girando em torno de uma pandemia. Perdemos pessoas muito queridas, parentes, amigos, conhecidos, desconhecidos. Luto e lutas, algumas inglórias, muitas salvadoras.

A vida não é um mar de tranquilidade. Ela serpenteia e você tem que saber navegar nesse eterno aprendizado. O momento de agora pede calma. Os ânimos estão exaltados; não alimente essa chama. Fogo se combate com água.

Águas que curam, hidratam e revigoram. Água fluindo grãos de mar. No caminho, lavam a alma, renovam a esperança, preparam o terreno para fecundação, fazem brotar novas vidas. Novos ciclos em gestação.

Tente extrair o melhor de si para você e para os outros. Afaste tudo que lhe traz amargura, tristeza, abatimento e desesperança. Substitua maus pensamentos por boas energias!

Mergulhe os pés na água, semeie um mar de otimismo e vamos desabrochar um oceano de sorrisos.


Elena Mikhalkova

Minha avó uma vez me deu uma dica:
Em tempos difíceis, você avança em pequenos passos.
Faça o que você tem que fazer, mas pouco a pouco.
Não pense no futuro ou no que pode acontecer amanhã.
Lave os pratos. Tire o pó.
Escreva uma carta.
Faça uma sopa.
Entende?
Você está avançando passo a passo.
Dê um passo e pare.
Descanse um pouco.
Elogie-se. Dê outro passo.
Então outro.
Você não notará, mas seus passos crescerão cada vez mais.
E chegará o momento em que você poderá pensar no futuro sem chorar.

Lenine – Paciência (Lenine In Cité)

Acesse também: Colcha de retalhos, uma relíquia que conta histórias; Corre que o verde está chegando; Rituais cotidianos; Pausa para recarregar.

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5 comments

    1. Muito obrigada Tia, tentando passar boas energias. O mundo está precisando de água para uma limpeza geral. Novos ciclos com muito mais otimismo. Beijo carinhoso!

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