Quem vive de passado é museu, de presente e futuro, também

Cais do Sertão – foto de Nelson Kon, capturada no site de Brasil Arquitetura

Quando se fala em museu, vem logo à mente a imagem de coisas velhas e construções antigas, daí o dito popular: “quem vive de passado é museu”. Mas, e se a cidade é aberta para mesclar o novo e o antigo, criando construções contemporâneas, atraindo um público que se interessa por aspectos culturais, antropológicos, geográficos e tantos outros que marcam a história e constituem o patrimônio de um povo?

Ainda bem que muitos lugares têm cabeças abertas para transmitirem às novas gerações as lições do passado, o respeito ao presente e o construir do futuro. Elementos reunidos em edifícios de arquitetura contemporânea, integrados ao meio ambiente e apresentando aos visitantes um patrimônio de arte, cultura e tecnologia.

Aqui bem perto, em Pernambuco, o sertão veio dar no mar e ancorou na cidade de Recife, bem próximo ao Marco Zero, no antigo Armazém 10 do Porto. Com uma área de 7.000m², instalou-se o Cais do Sertão, um museu que mostra a essência e a riqueza do Sertão nordestino por meio da obra de Luiz Gonzaga.

Cais do Sertão – Foto de Nelson Kon, capturada no site Brasil Arquitetura
Cais do Sertão – Foto de Nelson Kon, capturada no site Brasil Arquitetura

O projeto é dos arquitetos Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Pedro del Guerra, do escritório Brasil Arquitetura. Ao descrever o projeto, os autores definem o propósito do espaço: “ao apresentar a vida sertaneja em um moderno equipamento à beira-mar da metrópole pernambucana, o museu procura abrir os olhos de todos os brasileiros para o universo fantástico, ao mesmo tempo rico e pobre, trágico e festivo, violento e poético de grande parte da população que habita esta vastidão territorial chamada sertão”.

Atravesse o Atlântico, navegue pelo rio Tejo e aporte na cidade de Vila Franca de Xira, em terras lusitanas. A Fábrica das Palavras (que nome mais lindo!) é a Biblioteca Municipal, construída na antiga fábrica de descasque do arroz à beira do rio; um verdadeiro centro de cultura e lazer, de acessos privilegiados e gratuitos.

Fábrica das Palavras – Miguel Arruda Arquitectos

Na área de 3.200m², o escritório Miguel Arruda Arquitetos Associados aliou a evolução na relação com a palavra escrita, lida e representada aos princípios preconizados por Harry Faulkner-Brown para a arquitetura de uma biblioteca: acessibilidade, visibilidade, articulação, capacidade evolutiva, flexibilidade, segurança e sustentabilidade. O resultado é destaque em uma cidade de apenas 136.000 habitantes.

Vamos seguir no continente europeu até a cidade de Antuérpia, na Bélgica. Também situado no antigo porto, à beira do rio Scheldt, o MAS | Museum aan de Stroom é um enorme armazém contemporâneo, inspirado nos armazéns do século XIX, típicos do distrito, abrigando o rico passado da cidade.

MAS | Museum aan de Stroom
MAS e seus vidros curvos
MAS |Terraço com a visão de toda cidade

Projeto do escritório Neutelings Riedijk Architecten, a torre de 60 metros do MAS abriga sete galerias de exposições empilhadas como uma espiral de vidro, cada uma compensada em um quarto de volta da sala abaixo dela. As escadas rolantes levam você pelos nove andares até o topo, que tem uma visão de 360º da cidade. A fachada é formada de blocos de arenito indiano, adornados com as famosas mãos que simbolizam o mito da gênese de Antuérpia, entrecortada por vidros ondulados italianos, oferecendo uma visão em todos os ângulos e cantos da cidade e do porto.

Afastando-se um pouco das águas do mar e dos rios, vamos ingressar no Vallé de Joux, na pequena Vila de Le Brassus, em plena Suíça, para conhecer o Museu Atelier Audemars Piguet. Uma proposta arquitetônica que aproveita o relevo da região, mescla-se à paisagem e remete ao mecanismo dos relógios produzidos desde 1875, aberto ao público essa semana.

Museu Atelier Audemars Piguet – foto capturado no seu site
Museu Atelier Audemars Piguet – foto capturado no seu site
Museu Atelier Audemars Piguet – foto capturado no seu site

O Museu Atelier liga a casa original, onde Jules Louis Audemars e Edward Auguste Piguet iniciaram suas atividades em 1875, a um pavilhão de vidro em forma de espiral projetado pelo Bjarke Ingels Group (BIG). Situada neste edifício contemporâneo de vidro, a principal exposição apresenta cerca de 300 relógios, abrangendo mais de 200 anos de história da relojoaria.

Michael Friedman, ao falar sobre o mecanismo dos relógios, afirma: “Relógios muito bem acabados e altamente complicados sempre foram mais do que simplesmente contar as horas. Hoje, à medida que avançamos cada vez mais na era digital, o relógio mecânico se tornou um dos poucos objetos de permanência em uma era de crescente obsolescência. Eles são literalmente criados para durar ‘para sempre'”.

Contando as horas, imagino quando Natal/RN despertará para a importância de obras arquitetônicas relevantes que abriguem o seu patrimônio histórico-cultural, alinhando passado, presente e futuro.


Welcome to the Musée Atelier I Audemars Piguet

Acesse também: Arquitetura na Rioja, Aconchego, Arquitetura Bossa Nova e Aman e Bupitanga, hotéis imersos na vegetação.

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