Sardinha

Clarissa Medeiros é uma jornalista de alma inquieta. Nos últimos quatro anos, deixou a terra Natal e foi morar com a família nos Estados Unidos.

Suas asas bateram novamente e voaram do Novo para o Velho Continente, onde fizeram morada na cidade de Cascais, bem próximo a Lisboa.

Ela, o marido e as duas filhas estão descobrindo as maravilhas e sabores dos nossos ancestrais e compartilhando suas experiências em Podcasts.

Pedi autorização para publicar um dos seus posts, que fala da paixão dos portugueses pela sardinha.

Saboreie o texto e, se quiser ouvir mais de suas aventuras, ouça no Spotify: Cacaidisse.


SARDINHA

Clarissa Medeiros

É só Junho chegar, e os portugueses estão todos bem animados. É época das festas dos Santos. Começando por Santo Antônio de Lisboa. As ruas do centro se enchem de cores e enfeites, e é hora de comer sardinha assada. O cheiro da iguaria na brasa inunda as ladeiras e sacadas da capital. 

Este ano, a Covid cancelou os festejos e as marchinhas, mas a sardinha sobreviveu. E onde tiver uma brasinha, tem uma sardinha assando. 

Tanto quanto o bacalhau, a sardinha é considerada outro símbolo português, só mais irreverente, mais colorido, mais festeiro. Está em tudo, nos cardápios, nos fados, na arte, nas toalhas de mesa. 

Para se ter ideia de como os portugueses gostam de sardinha, lá em 1456, o alimento só podia ser pescado aos domingos e em dias santos. Mas o costume é ainda mais antigo, acredita-se que quando Portugal ainda era território Fenício, a sardinha já era apreciada, seguindo pelo Império Romano. Tinham o costume de salgá-la e levar do mundo ibérico para África, Itália e Galícia.  E no período muçulmano, bem a Sul do Tejo, a pesca de sardinhas era feita em grande abundância também.

Hoje, com menos esforço, encontra-se em qualquer mercado. O tempero ideal é simples: sal grosso apenas. Aqui em casa, o chef é profundo apreciador e, vira e mexe, elas estão na brasa. 

Sardinhas no sal grosso

Um passeio imperdível quando em Lisboa é a loja O Mundo Fantástico da Sardinha, no Rossio. Parece um circo e o lúdico faz viajar na cultura lusitana.  As latas estão numeradas de 1917 a 2017. E a brincadeira é encontrar o seu ano de nascimento. Todas são conservas deliciosas. 

Terminando o assunto e honrando a tradição, assim nomeamos nosso filho patudo Português: Sardinha. Um Jack Russel fofíssimo. Se quiser dar cara ao nome, vai no meu Instagram (@cacaikki)  para ver as fotos dele.

Sardinha, o caçula da família

Acesse também: Herança saborosa, Sabores da terra, Craquelando o sabor e Reinventando a cozinha.

Leia também

2 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *