Sextou

Abro o Instagram e a palavra “sextou” aparece insistentemente. Parece que todos estão prontos para balada no mundo em que tudo são festas, poses, brindes e felicidades. Com o passar dos anos, migrei da sexta agitada para um fim de semana de descanso e relax.

Aliás, mesmo quando trabalhava com tempo contado (hoje conto o tempo do meu trabalho, apesar de nunca descansar o meu olhar), o final da tarde de sexta-feira significava o ápice do meu cansaço. Acordando bem cedo de segunda a sexta, gostava mesmo de ficar em casa nesse dia, fazer um jantarzinho especial, tomar um vinho e apreciar a companhia do meu marido.

Nessa sexta-feira, trouxe orquídeas para meu ninho. Dia de faxina, casa com cheiro de limpa, borrifada com aromas delicados. Dei uma rápida percorrida no Instagram, naveguei por sites de notícias – sempre repetitivas, violência, politicagem, corrupção – passei pela TV, ouvi músicas no Spotify, mas também não me encontrei. Difícil escolher entre tantas opções!

Acabei assistindo a um filme na Netflix, não um seriado, porque este prende demais a atenção e é difícil dar um stop. The End e a noite ainda rendendo. Lembrei das palavras do escritor americano Henry van Dyke: “O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam, mas, para os que amam, o tempo é eterno”.

Olhei para aquela pilha sobre o móvel, vários livros prontos para serem devorados. Gosto de manusear os impressos, de folheá-los até sentir seu cheiro. Se visitar uma livraria, termino levando mais exemplares do que meu tempo disponível para ler e aí eles vão ficando ali, aguardando a vez de serem apossados.

No tempo das atividades múltiplas que encurtam as horas, sobra pouco para a leitura. Mas ela continua disponível, carente de ser apreciada. Hoje leio mais de um livro por vez. Tenho sempre um de leitura leve, alguns de poesia e outro mais complexo. A depender do estado de espírito, assim como na música, faço minhas escolhas.

Como boa nordestina, deitei na rede para relaxar. Devidamente acomodada, terminei a noite folheando páginas de escritas leves, longe das redes sociais, navegando por onde a imaginação me levou na paz de uma sexta-feira à noite.


Acesse também: Embarque imediato e Verão que finda.


Bill Withers – Ain’t No Sunshine (cover)

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8 Comentários

    1. É que você está lendo esta semana
      Eu”Escravidão”magistralmente explicada porLaurentino Gomes,para se entender muito do Brasil colonizado por portugas e a ambição.
      Também mais leve leio “Mujeres
      meu querido Eduardo Galeano escreve sobre famosas em apenas 30,40 linhas.
      Sempre fui estive apaixonada por este Uruguaio,que além da escrita, quando fala, arrepia!

      1. Oi Tia,
        Os livros de Laurentino Gomes contam a história do Brasil de maneira fácil de ler.
        Não conhecia Eduardo Galeano, vou procurar seus textos.
        Obrigada pela dica.
        Bjs.

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