Um cafezinho para contar histórias

Foto de Valter Campanato, capturada no site da Agencia Brasil

Que tal passar um bom café – pode ser em grão para moer na hora, já torrado e moído ou em cápsula –, deixar o cheirinho invadir sua casa e sorver em pequenos goles a sua história?

Apesar de o Brasil ser o maior produtor mundial, não foi aqui que surgiu essa bebida energética de sabor ímpar.

A Etiópia aparece como o país originário dessa planta, que invadiu a península arábica, a Europa e depois chegou à América, inicialmente nas colônias holandesas.

A França exportou mudas para Guiana e uma história de sedução do sargento-mor, Francisco de Mello Palheta, em busca de mudas dessa nova planta e não do amor da esposa do governador da Guiana Francesa, fez chegar o café a Belém do Pará por volta de 1727.

O clima da região Norte não ajudou e as plantações de café viraram experimentos em direção ao Sudeste do Brasil, para se fixarem nas terras altas e escuras do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

O Vale do Paraíba Sul Fluminense, no Rio de Janeiro, foi responsável por quase 75% do café consumido no mundo nos idos de 1860. Trouxe riqueza para o baronato do Brasil Imperial, com fazendas históricas que demonstravam ostentação e poderio econômico. Atualmente, o Vale do Café – como é conhecido – abriga fazendas históricas e centenárias, que recebem visitantes para uma viagem ao passado.

Fazendas Históricas – Série Doc – Promo | Ancine

O café chegou a São Paulo, que estimulou o a imigração de mão-de-obra europeia para os cafezais, impulsionando o desenvolvimento do Estado,  logo transformado no grande produtor do grão, consolidando sua hegemonia econômica entre o século XIX e primeiras décadas do XX, e partilhando, com Minas Gerais, a política do café com leite no comando do Brasil.

O Porto de Santos tornou-se o centro da exportação do produto para o mundo. Inaugurado em 1922, o Palácio da Bolsa Oficial de Café ostentava a opulência e força da elite cafeeira paulista e era o local para negociação dos melhores grãos. Hoje, o prédio abriga o Museu do Café, ponto turístico da cidade, para quem quer mergulhar na história dessa bebida de sabor inigualável.

Fachada do prédio histórico que hoje abriga o Museu do Café em Santos | Foto capturada no site www.museudocafe.org.br

Nas docas, os estivadores encarregavam-se de abastecer os navios que transportavam o café brasileiro para o mundo. Reza a lenda que Jacinto – o Sansão do cais – chegava a empilhar 5 sacos de 60kg nas costas.

Exagero, ficção ou realidade, o fato é que o café, inicialmente um artigo de luxo, popularizou-se com força e espalhou seu aroma pelo mundo. Em terras nacionais, é a bebida preferida de quase 98% da população, e já ocupa a terceira colocação no ranking das bebidas do mundo, só perdendo para a água e os chás.

Minas Gerais assumiu a hegemonia da produção cafeeira brasileira e responde por aproximadamente 50% do seu total. Na sequência vem os Estados do Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia e Paraná.

O cafezinho presente nos lares das Minas Gerais, estalando o crepitar do fogão a lenha, enquanto exala o perfume na recepção para uma boa conversa, apesar de o mineiro preferir escutar bem mais do que falar.

O Brasil segue como maior produtor mundial, mas encontra concorrentes de peso nos sabores dos cafés produzidos no Vietnã, Colômbia, Indonésia, Etiópia, Índia, Honduras e México.

O planeta Terra aderiu ao café! Apurou-se o paladar, surgiram os profissionais encarregados de selecionar, avaliar e produzir os melhores cafés: o provador, o barista e Q-Grader.

No entanto, nada se compara à sabedoria da mãe natureza. A Civeta come as frutas no ponto ideal de maturação e seu esterco é utilizado para fazer o Kopi Luwak – o café mais caro do mundo – diretamente das ilhas que formam o arquipélago da Indonésia.

Se a Indonésia tem a Civeta, nós temos o Jacu. A ave capixaba também sabe escolher os melhores frutos e suas fezes rendem um café de sabor especial para os apreciadores.

Agora é só escolher entre as infindáveis marcas e espécies, deixar o cafezinho contar histórias e o retrogosto temperar uma boa leitura ou um divertido bate-papo.


Café e turismo

Visão celestial | Instituto Sítio São Luís | Ceará

E se o café for o roteiro para explorar a região produtora, resgatar sua memória ou simplesmente realçar seu sabor numa viagem de descobertas? Diversas regiões possuem rotas turísticas para os amantes da bebida e de viagens.

O Vale do Café, no Rio de Janeiro, é a denominação turística da região onde o café foi a principal fonte de renda no Século XIX. Suas fazendas históricas são lindas e proporcionam uma inesquecível viagem no tempo.

Em Minas Gerais, algumas fazendas ofertam ao mercado roteiros turísticos para conhecer o grão do pé à xícara, como: a Rota do Café Especial, na Fazenda Sertão, na Serra da Mantiqueira, em Carmo de Minas; a Fazenda Pedra Redonda, na Serra do Brigadeiro, em Araponga; o Roteiro dos Cafés Especiais, na Fazenda Capoeira, em Areado.

No Espírito Santo, a Rota dos Vales e dos Cafés traz histórias, construções e tradições marcadas pela influência da cultura do café no sul do Estado.

No Paraná, a Rota do Café busca resgatar a tradição e a cultura cafeeira, vivenciando o processo de colheita, abanação, rodagem em terreirões e armazenagem, além de provar bebida de qualidade e muitos outros quitutes.

No Nordeste, o Ceará possui a Rota Verde do Café na região do Maciço de Baturité, contemplando uma visita aos Municípios de Mulungu, Guaramiranga, Pacoti e Baturité e suas experiências com a plantação do café de sombra. A visita ao Sítio São Luís é imperdível!

Casa do Sítio São Luís | Pacoti | Ceará | Foto capturada no site www.sitiosaoluis.business.site/

O Especial do Café: conheça as três ondas da produção cafeeira (Reportagem 1) | EPTV Sul de Minas

Acesse também: Herança saborosa, Tiradentes e uma vila russa, Sabores da terra e Perfumes da vida.

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