Descoberta musical

LP Cazuza e Barão Vermelho

Quando meu filho ainda era criança, pediu-me para comprar o CD do Pato Fu. Eu tomei um choque. Pato o quê…? De repente senti um alerta no chip regulador da idade. Como é que eu, que sempre gostei de música, não conhecia a banda mineira?! Corri para loja e comprei o CD. Deparei-me com a voz suave de Fernanda Takai – lembrando Nara Leão – e tomei uma resolução definitiva. Daquele dia em diante, iria me esforçar bastante para estar atualizada nas novidades musicais, uma receita infalível para manter a mente jovem. É claro que essa resolução passaria por um […]

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Verão que finda

lua cheia

Escondida por trás de nuvens de verão – que vai terminando – espreito a terra por venezianas irregulares. Tento, mas não consigo esconder-me totalmente. Revelo-me lentamente, mas meu volume e luminosidade não me permitem a ocultação. Ilumino uma imensidão de água temperada, facheando um mundo aquático, enquanto minha força faz crescer e recuar a maré até o limite das brancas espumas. Em terra firme, pontilhões de luzes são incapazes de realçar como eu, mas denunciam a presença do ser humano. Vou seguindo meu trajeto e iluminando a noite, trazendo luz para uma terra sombreada. Satélite da terra, alimento-me da luz […]

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Pausa para recarregar

Flor na pedra

O café passado manualmente, exalando o cheiro pela casa, despertando os sentidos saborosamente. O pão quentinho derretendo a manteiga para azeitar a refeição. Pessoas sentadas à mesa, compartilhando a primeira refeição matinal. Almoço em família com direito a cochilo reparador. Final de tarde, cadeiras nas calçadas, encontro vespertino para colocar em dia as novidades do dia. Jantar com mesa posta, televisão e conversa entre amigos, olho no olho, antes da pausa para o descanso. Onde foi parar tudo isso? O tempo encurtou ou fomos nós que lhe apressamos? Os ponteiros aceleram, as horas passam rapidamente, os dias se tornam mais […]

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Frida Kahlo

Cartaz da exposição Frida Kahlo

“Me pinto a mí misma, porque soy a quien mejor conozco”. Com a frase na cabeça, aguardava paciente na fila do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, final de outubro de 2015, para ver a exposição Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México. Tinha acabado de ler sua biografia e aproveitei a oportunidade para apreciar a sua arte. Tenho especial admiração por mulheres fortes e Magdalena Carmen Frieda Kahlo Calderón insere-se nessa classificação. Nascida em 1907, em Coyoacán, antigo distrito residencial na periferia sudoeste da Cidade do México, a pintora faleceu jovem, aos 47 anos de idade, mas deixou […]

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Não nasci passarinho

Foto do pôr-do-sol

Não nasci passarinho, mas muito cedo aprendi a voar. Primeiros nos livros, onde a imaginação pode levar o leitor mundo à fora. Depois na música, a depender do estado de espírito, voa-se alto no imaginário. Em seguida, ainda criança, descobri o encanto de estar acima das nuvens para chegar a lugares distantes. Escutar aquele coraçãozinho batendo apressado no ultrassom, o choro estridente do nascimento e o balbuciar das primeiras sílabas são emoções gravadas para sempre na memória dos pais. A junção das sílabas e a leitura das primeiras palavras também provocam fortes sensações. Daí em diante, com o estímulo adequado, […]

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Rituais cotidianos

Nascer do sol em Galinhos

Houve um tempo em que o despertar surgia com as primeiras luzes do amanhecer. E o corpo inerte já levantava-se disposto para o trabalho braçal. Corpo descansado da noite anterior, relaxado nem bem o entardecer anunciava a escuridão. O progresso chegou e a noite estabelecida abdicou de adormecer o ser humano. A luz postergou o recolhimento noturno, retardou o descanso reparador. Surgiram os aparelhos eletrônicos e a demora em adormecer prolongou-se ainda mais um pouco. Às vezes, por quase toda a madrugada. Hoje então, o corpo demora a reagir aos primeiros acordes do despertador. Quando se dá conta, levanta-se no […]

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Banho de mar

Chuva no mar

De repente, fez-se tarde de um domingo branco, preguiçoso. Cansado de rebater o sopro constante vindo da terra, o mar serenou. Os barcos ancorados naquele porto-mirim denunciavam a posição invertida do vento. Não era brisa marinha, era o nordeste anunciando o inverno em terras sedentas. A paisagem era convidativa. Impossível resistir àquela piscina infinita. O sol encoberto não refletia o azul marinho, mas a água translúcida permitia ver todo o corpo mergulhado no grande espelho natural. O tempo parara. O mar silenciara. Nem preamar, nem baixa-mar, ponto de equilíbrio. As criaturas marinhas, adormecidas, deixaram que os banhistas usassem e abusassem […]

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