Craibeiras em esplendor

Craibeiras em esplendor! Nas primeiras horas da manhã, as flores sacolejadas pelo vento da noite estão esparramadas nas calçadas, canteiros, calçamentos, gramados e asfaltos; cumprem seus últimos suspiros, tingindo de amarelo o chão das ruas.

Saio para pedalar quando a cidade acorda lentamente para as tarefas diárias. Os pássaros saúdam os primeiros raios do sol, refletidos no amarelo vivo. Suas copas reluzem a intensidade do sol recebido. Se naquela as flores brotaram em direção ao nascente, é porque dali receberam mais luz.

Noutras tantas craibeiras em flor, parece que o sol da tarde tem mais vigor, direcionando as floradas para o poente. Diz a sabedoria sertaneja, que a copa completamente florida é sinal de bom inverno no ano vindouro. Que seja! Nosso Nordeste sedento está carecido de água.

Desviamos o percurso do pedal para circular no Campus da UFRN, só para apreciar as inúmeras árvores floridas. Tanto amarelo, tanta flor, quanta beleza.

Enquanto a chuva do caju não vem, vejo a cidade em movimento. O fluxo de carros vai aumentando à medida que se aproxima o horário de entrada das escolas, depois a pressa se justifica para marcar o ponto no trabalho. Paradas lotadas com ar de preguiça matinal.

Com o aumento do mercado informal, toda hora é hora de movimento. O fluxo de ciclistas diminui e os veículos tomam as ruas. Um carro parado no sinal quatro tempos e a passageira dançando feliz a música que toca no rádio. O motoboy segue ligeiro na entrega, enquanto os headphones imprimem os gestos de quem está imerso no som individual.

A tarde chega e os transeuntes circulam na praça. Mesmo em bancos malcuidados, estancam o tempo para ver os ipês centenários. Imaginem se nossas praças fossem bem cuidadas; quanto espaço público subutilizado!

Praça Cívica | Natal/RN
Praça Augusto Severo | Natal/RN

No Parque das Dunas que circunda a cidade Natal, os ipês roxos estão floridos, destaque na mata seca de quase verão, ainda nas cores da primavera. Mas será que temos mesmo as quatro estações? Cascudo dizia que só existiam duas: o verão e a do trem.

Do meu apartamento, escuto o último apito do trem. Leva os trabalhadores de volta para casa até Ceará-Mirim. O rio Potengi prateou e perdeu sua cor. Vai ressurgir nas primeiras luzes do próximo dia.

Hoje sou toda grata aos gestores e pessoas que decidiram plantar os ipês, paus d’arco ou craibeiras (uma mesma planta com tantos nomes!) que iluminam o olhar de quem tem sensibilidade para apreciar a beleza da natureza nos traçados de nossa cidade.

Plantemos árvores para as gerações futuras!


Palmyra Wanderley

PAU-D’ARCO

Domina a mata inteira. O grosso tronco escuro
Se eleva para o céu, em galhos esquisitos.
Seu passado de rei, de rei o seu futuro,
Nos ramos, em sinais estranhos, vejo escritos.

No inverno o conheci, sem flôres, obscuro,
Rei prescrito, o pau-dárco, entre muitos proscritos,
Floresce no verão. Dourada a copa, eu juro,
Ser o reino de luz dos pássaros bonitos.

É o marechal da mata. Altivo, nobre, belo,
No capacete ostenta o penacho amarelo,
Guerreiro destemido, em demanda da glória.

Orgulhoso, desfralda a bandeira bordada
E, enlaçado de flor, escuta na alvorada
Um concliz a tocar o clarim da vitória.

4K – Floração do Ipê Amarelo em Brasília

Acesse também: Cidade marinha; Natal, 420 anos; Aconchego; Desabrochar da primavera.

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5 comments

      1. Elzinha, amo suas crônicas, essa então que se refere as árvores que encantam nossa cidade. Mo árvores, tenh hobby em resgistar em fotos. Parabéns pelo modo de discorrer sobre os temas aos quais submete a sua avaliação, seu olhar… parabéns!!!

        1. Oi Jandira! Então temos um olhar conjunto de adoração às árvores. Vivo ligada em belas árvores e tento passar as sensações para o papel. Muito obrigada, beijos!

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