Só sei que foi assim

O personagem Chicó do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, ao ser questionado sobre as lorotas inventadas, encerrava a conversa dizendo: Não sei, só sei que foi assim.

Longe das estórias inventadas por esse personagem inesquecível, percorrendo as estradas nordestinas, fui dar no agreste paraibano, mais especificamente no Planalto da Borborema, serra de Boturité, para celebrar a união de um natalense e uma campinense.

O local escolhido para a celebração veio estampado na gravura que acompanhou o convite. O baobá em destaque, vestido de verde, na frente da casa de fazenda, agora transformada em casa de recepções Celebre La Vie, em Lagoa Seca, município vizinho a Campina Grande/PB.

Muitos dos convidados chegaram na sexta-feira, para aproveitar as comemorações mais informais. Eu cheguei no sábado, aguardando meu marido que participava de uma competição de ciclismo em Bananeiras. Nos encontramos na hora de ir para cerimônia, ele apressado e superfeliz, trazendo na bagagem o troféu de primeiríssimo na sua categoria, mais um para sua vasta coleção de campeão. Parabéns ao atleta e partiu casamento.

As cores de um fim de tarde recepcionavam a todos, encantados com o cenário lindamente preparado para a cerimônia. Uma brisa fresca e suave inundava a paisagem, espalhando uma luz mágica para fotografia. O baobá do convite despiu-se da folhagem, deixando à mostra os galhos desnudos, prontos a amparar palavras e emoções a lhe irrigar para a próxima estação. Duas cascatas de flores a lhe adornar, enquanto um aparador de raízes bem tramadas amparava Nossa Senhora.

Todos devidamente acomodados, deu-se início ao cortejo de padrinhos e madrinhas. O noivo entrou com um sorriso estampado no rosto, ao som de Fly Me To The Moon, a música enchendo seu coração, flutuando nas estrelas que ainda nem tinham surgido. Lágrimas de felicidade que logo se transformaram em pranto ao ver sua amada entrar acompanhada do pai. Uma verdadeira “manteiga derretida” como se dizia antigamente.

Antecedendo a noiva, um cortejo de pajens e daminhas, em que uma se destacou. Compenetrada, completamente incorporada na responsabilidade que lhe atribuíram, soltava delicadamente as pétalas ao chão, sem pressa, adornando o caminho da noiva, que entrou ao som da música nordestina. Preciso do Seu Sorriso a deixou pronta para seguir o seu amor, ser levada para onde quer que seja o seu mundo.

A tarde caiu sem ser percebida. O sol se pôs, realçando o surgir das estrelas. Absortos, os convidados assimilavam e emocionavam-se com palavras bem pronunciadas, por um parente da noiva, pelo Juiz e pelo amigo do noivo.

O noivo recapitulou a história do casal, sem saber explicar como sua amada lhe trouxe tanta leveza, cor e prazer, só soube que foi assim. A noiva retribuiu em palavras e gestos carinhosos, que selaram a união.

Trago em mim a natureza entranhada. Qualquer celebração que a utilize como Altar, me eleva à presença de Deus. Quando se trata de casamento, celebro intimamente e me emociono com os meus quase trinta e quatro anos de amor, cumplicidade e teimosia com meu marido. Levamos nossas bênçãos e boas energias ao novo casal. Feliz e grata por testemunhar, compartilhar e celebrar essa linda história de amor.


Fly Me to the Moon/Lucky (Sinatra/Jason Mraz & Colbie Caillat MASHUP) Rick Hale & Breea Guttery

Preciso do teu sorriso – Mariana Aydar – Programa Ensaio

Acesse também: Aconchego, Alma renovada e Voos largos.

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2 comments

  1. Casamentos são,para mim, celebrações emocionantes. Jovens (ou não) se unem apaixonados e cheios de sonhos para o futuro.
    Unindo famílias e a oportunidade para continuidade das mesmas. Hoje em dia os noivos e convidados são mais participativos, além de festas magníficas…mas o quê importa é a boa energia que emana de todos.

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