Uma estrada longa e bem sedimentada

Há quase dois anos, decidi criar este blog e publicar linhas traçadas e entrelaçadas. Um novo dia para contar histórias plantadas e colhidas em viagens, leituras, músicas e sons de um jardim de silêncio e paz.

Nos rituais cotidianos, um olhar atento e o pensamento ligado naquilo que merece ser transmitido e compartilhado com o leitor até onde a internet alcançar.

Com uma parábola, compartilhei a chegada dos meus cinquenta e cinco anos, celebrando a vida, sem querer respeitar aquele instrumento que conta os minutos, multiplica as horas e acrescenta os dias ao calendário.

No entanto, foi exatamente o tempo que me fez dar uma pausa. No final de 2020 e início de 2021, atenção voltada para cuidar daquele que sempre esteve ao meu lado.

Papai foi colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria (contida) que contagia, lágrima que corre, olhar que sacia, amor que promove (apossando-me das palavras de Cora Coralina).

Na sua fartura de sabedoria, anunciou a proximidade da partida. Foi me preparando com uma ladainha. Inconscientemente, esse aboio foi sendo por mim assimilado.

Quando chegou sua hora, a passagem soou como um conforto, um alívio para o sofrimento dos últimos dias. Em seu lugar, um vazio, uma saudade, uma dor. É a vida que segue sem você ao meu lado.

Escutei que o luto passa quando a dor se transforma em paz. Quero sentir essa paz e seguir o caminho sem sua presença física, mas consciente que compartilhamos juntos uma estrada longa e bem sedimentada.

Um novo ciclo que se inicia, vou retomar os meus escritos…


Acesse também: Sorriso de menino, Alma renovada, Linhas sobre meu pai, Não basta ser pai, tem que participar.

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11 comments

  1. Quando perdi minha sobrinha que estava com 11 anos, escrevi algo que não guardei. Suas palavras agora me trouxeram de volta o título, única coisa que lembro: “Dor pacífica”. E, desde então, tenho consciência que as perdas das pessoas queridas por mim geram sempre o mesmo. A dor, por maior que seja, sempre é pacífica. Quem _compartilha junto uma estrada longa e bem sedimentada_ há de ter paz nessa dor inevitável.

  2. Elzinha, você perdeu o querido Haroldo e ainda é cedo para parar de doer. Só o tempo dará lugar a uma saudade confortável!Segundo Débora, “saudade é o amor que fica.” E quando o senhor tempo passar você encontrará essa saudade gostosa, resultado de um amor imenso.

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